Brasília - Deputados e senadores que integram a CPI da Terra no Congresso aprovaram ontem por unanimidade a quebra dos sigilos fiscal e bancário das duas principais entidades ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Na prática, a CPI irá investigar as principais contas do movimento. Como não existe juridicamente, o MST recebe dinheiro de doações e convênios, inclusive do governo federal, por meio da Anca (Associação Nacional de Cooperação Agrícola) e da Concrab (Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil).
A não-oficialização foi uma forma que os sem-terra encontraram, em sua fundação, em 1984, para se precaver de eventuais intervenções federais. Ontem, procurada pela reportagem, a coordenação nacional do MST não quis comentar as quebras de sigilos. Informou apenas que as direções da Anca e da Concrab irão se manifestar a respeito. Integrantes da bancada ruralista acusam a Anca e a Concrab de utilizarem dinheiro público para custear invasões de terra.
Segundo o deputado Abelardo Lupion (PFL-PR), um dos que assinaram o requerimento, as entidades receberam neste ano cerca de R$ 6 milhões do governo federal. Ele disse ter colhido os números no Siafi (sistema informatizado de acompanhamento de gastos federais).
O Ministério do Desenvolvimento Agrário não informou o montante de verbas que foi repassado para as cooperativas. A assessoria do ministério disse que está sendo feito um levantamento que ficará pronto hoje. Os repasses, segundo o governo, são, basicamente, para assistência técnica dos assentamentos.
Parlamentares da bancada ruralista também conseguiram impedir a aprovação dos requerimentos que pediam uma devassa semelhante na UDR (União Democrática Ruralista) e na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Foi aprovada apenas a quebra dos sigilos da seção gaúcha do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), entidade ligada aos ruralistas.
A votação dos requerimentos ocorreu em meio ao depoimento à CPI do economista e advogado Plínio de Arruda Sampaio, ex-deputado federal petista. Cientes da existência de um requerimento que pedia a quebra dos sigilos do MST, a bancada de parlamentares pró-sem-terra buscou se articular durante a sessão. A votação ocorreu duas horas após o seu início. Há duas semanas, a UDR entregou seus balanços à CPI.

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