A CPI da Telefonia que investiga denúncias de escutas telefônicas ilegais no Palácio Iguaçu e em comitês políticos, tenta há um mês, localizar as fitas com conversas da ex-secretária de Administração do Estado, Maria Elisa Paciornik. Ela descobriu um grampo no gabinete em outubro de 1999. No depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito, em maio, a ex-secretária afirmou que as escutas poderiam ter sido instaladas diante de sua recusa em renovar contratos superfaturados do governo do Estado com as empresas Contrans, Ouro Verde e Consult Informática.
O presidente da CPI, deputado Tony Garcia (PPB), disse que recebeu telefonemas de pessoas não identificadas que se propuseram, no começo dos trabalhos da comissão, a encaminhar o material com as conversas de Maria Elisa. No entanto, os intermediários só repassariam as fitas, caso o teor de outras cinco já em poder da CPI fossem revelados. Garcia afirmou que não vai divulgá-las. ‘‘Nenhuma fita possui informações de interesse público’’, justificou.
Mesmo com a recusa da CPI, a Folha teve acesso a uma das cinco fitas. A reportagem sobre a gravação, publicada na edição de terça-feira, mostra conversa realizada em junho do ano passado entre dois donos de jornais: Marcos Formighieri, da ‘‘Gazeta do Paranᒒ, de Cascavel, e Luiz Fernando Fedeger, do ‘‘Impacto Paranᒒ, de Curitiba. Ambos fazem oposição ao governador Jaime Lerner (PFL), acusado por Formighieri de ser o mandante do grampo, denúncia que o governo nega.
‘‘Quem sabe, depois da divulgação da conversa pela Folha, as outras fitas, inclusive aquelas com as conversas da ex-secretária Maria Elisa sobre os contratos superfaturados, comecem a chegar à CPI’’, afirmou Tony Garcia. O material pode dar fôlego à comissão, contestada na Justiça pelo governo e pela empresa Telepar Brasil Telecom, acusada de acobertar os grampos.
No final de maio, a CPI requisitou cópias dos contratos mencionados por Maria Elisa, que calculou estarem 440% acima do preço normal. O governo conseguiu impedir na Justiça a remessa dos documentos, sob argumento de que a CPI estava fugia de seus propósitos. A CPI foi criada oficialmente para apurar denúncias de consumidores lesados por cobranças abusivas nas contas telefônicas.
A Telepar aguarda do Tribunal de Justiça manifestação sobre uma ação impetrada para acabar com a CPI. A decisão pode sair na semana que vem. ‘‘Se a Justiça entender pela suspensão dos trabalhos, nós vamos obedecer a decisão, embora haja um entendimento entre os membros da comissão de que grampo também é crime’’, afirmou Garcia.

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