CPI da Telefonia tem poucos poderes
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terça-feira, 04 de junho de 2002
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Curitiba que investiga irregularidades no sistema de cobranças da Brasil Telecom está de mãos atadas. Como a competência para resolver conflitos na área de telefonia cabe à União, a CPI, instalada no dia 6 de maio, poderá apenas coletar informações para sugerir ao Ministério Público que ingresse com uma ação civil pública contra a empresa. Ontem os integrantes da CPI se reuniram com representantes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o órgão responsável pela fiscalização das atividades das empresas de telefonia.
A Anatel conta com apenas 16 técnicos designados para fiscalizar uma população de 2 milhões de usuários do sistema telefônico. E o que é pior, esses fiscais utilizam os dados remetidos pela própria Brasil Telecom para avaliar, por amostragem, se a empresa está cumprindo suas metas, criticou Fábio Camargo, presidente da CPI. Durante a primeira fase de investigação, os vereadores ouviram depoimentos de técnicos que afirmaram ter fraudado dados relativos à instalação de novas linhas no Estado para cumprir as metas da Anatel.
Os integrantes da CPI vão solicitar ao Ministério Público que intervenha contra a Brasil Telecom após ouvirem dos representantes da Anatel que os consumidores não seriam ressarcidos caso fossem constatadas de fato as falhas no sistema de cobrança da empresa. A única sanção que a Anatel pode impor é uma multa à Brasil Telecom, que será paga à União. E os consumidores que estão sendo lesados, como vão ser ressarcidos? diz Camargo.


