CPI da Telefonia é a única emperrada na Assembleia Legislativa
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segunda-feira, 03 de dezembro de 2012
José Lazaro Jr. <br> <br> Reportagem Local 
Curitiba - A CPI da Telefonia Móvel, criada para investigar a qualidade do serviço no Paraná, emperrou na Assembleia Legislativa (AL). Ela foi criada junto com outras quatro comissões parlamentares de inquérito (CPIs) no início de novembro. Na época, ela foi inventada pela base de apoio do governo Beto Richa (PSDB), coordenada pelo deputado estadual Ademar Traiano (PSDB), após Nelson Luersen (PDT) anunciar que pediria nova CPI do Pedágio.
Enquanto o pedetista demorava quinze dias para reunir as assinaturas necessárias para investigar as empresas que exploram comercialmente as rodovias do Paraná, a CPI da Telefonia e as investigações sobre empresas devedoras de impostos, planos de saúde, pesquisas eleitorais e obras da Copa do Mundo furaram a fila, sendo protocoladas antes. Destas, apenas a da Telefonia ainda não realizou nenhuma reunião, nem para eleger o presidente e relator da comissão de inquérito (veja quadro). As circunstâncias levaram o deputado Kielse (PEN) a apelidar de ''laranjas'' as comissões de inquérito.
Apesar de não haver uma norma, tradicionalmente o parlamentar que propõe a criação de uma CPI assume a presidência ou a relatoria da mesma. Isto aconteceu em todas as demais, menos na comissão que investigará a Telefonia. Quem assinou a proposta foi o líder do PDT, Fernando Scanavacca, que abriu mão de integrar o colegiado. Em seu lugar, indicou o correligionário Nelson Luersen. Também integram a CPI os deputados estaduais Cheida e Nereu Moura, do PMDB, Bernardo Carli (PSDB), Paranhos (PSC), Professor Lemos (PT) e Roberto Aciolli (PV).
Diante da ausência de um líder para os trabalhos, a vaga de presidente poderá ser ocupada pelo atual presidente da Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor, o deputado Paranhos. ''Não fui quem propôs, mas eu aceitaria presidir. Na verdade, eu fiquei até um pouco surpreso quando o tema surgiu no plenário como proposta de CPI. A gente vinha tratando do assunto dentro da comissão desde o ano passado'', comenta o político. Paranhos foi um dos parlamentares que defendia a criação da CPI do Pedágio, adiada indefinidamente.
''Eu tenho muito medo desse negócio de CPI, pois na cabeça da população tudo termina em pizza. Quando eu presidi a comissão que tratou da oferta de leitos no SUS (Sistema Único de Saúde) nós usamos um sistema diferente. Todas as reuniões eram abertas, divulgadas para a imprensa e realizadas em todo o Paraná'', comenta Paranhos. Questionado sobre o que faria se assumisse a presidência da CPI da Telefonia, ele disse que repetiria a estratégia. ''O assunto é muito complicado, pois lida com grandes empresas. Daria para começar com os Procons municipais, visitar localidades para verificar a qualidade do sinal'', adianta Paranhos.
Em julho deste ano, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) proibiu temporariamente novas vendas de chips e planos das principais operadoras de telefonia celular do País, em decorrência da baixa qualidade dos serviços prestados.


