Curitiba - O presidente da CPI da Telefonia da Câmara de Curitiba, vereador Fábio Camargo (PSC), acredita que os serviços de telefonia fixa no Estado só vão melhorar se o Ministério Público fizer marcação cerrada sobre as empresas do setor.
Ele disse que a CPI já detectou irregularidades, basicamente cobranças indevidas. ‘‘Mas não acontece nada, porque a empresa tem a certeza de impunidade. A CPI acaba, e os problemas continuam’’, desabafou. Os vereadores estão apurando denúncias contra a Brasil Telecom, controladora da Telepar. O vereador criticou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsável pela fiscalização do setor. Na opinião dele, a agência é ineficaz no controle da qualidade dos serviços oferecidos pelas operadoras.
Outra denúncia feita por clientes da Brasil Telecom é a quebra de sigilo das ligações. Informado sobre o teor das denúncias, o gerente técnico da Brasil Telecom, Dirval Peres, disse que a empresa, ao receber reclamação de cobrança indevida, apura o protesto do cliente. Se for confirmado o erro, explicou Peres, o cliente recebe o desconto devido.
Peres disse que a empresa está disponível para prestar informações à CPI. ‘‘A comissão pode nos ajudar a corrigir as falhas.’’
Irregularidades na telefonia no Paraná tornaram-se, desde o ano passado – três anos após a privatização da Telepar –, um dos maiores alvos de investigação do Legislativo. Movidos pelo grande volume de denúncias por parte dos consumidores, deputados e vereadores montaram comissões parlamentares de inquérito para apurar o setor.
As investigações dos parlamentares levaram a Brasil Telecom a buscar na Justiça o fim da CPI. Por duas vezes, a empresa conseguiu que o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) cancelasse a CPI da Telefonia da Assembléia Legislativa. Entre as denúncias, estava o envolvimento da empresa em um suposto esquema de escutas clandestinas – o que a empresa negou durante as investigações dos deputados –, e cobranças indevidas.

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