CPI da Telefonia busca provas no caso dos grampos
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quarta-feira, 02 de maio de 2001
De Curitiba 
A CPI da Telefonia está em busca de provas de que as escutas telefônicas clandestinas nos gabinetes de secretários de Estado e em comitês eleitorais estariam sendo feitas a mando da Casa Militar do Palácio Iguaçu. O presidente da comissão, deputado Tony Garcia (PPB), disse que está recebendo informações que comprovariam a existência de grampos em comitês e na sede do governo do Estado. Garcia prometeu surpresas para a próxima semana. A CPI já tem em mãos documentos que comprovariam que a Defense (empresa de assessoria e consultoria em segurança) fazia serviçoes de varredura para o governo do Estado, mas não grampos.
O governo do Estado nega que tenha mandado instalar escutas e informa que não existe a possibilidade de existirem grampos telefônicos nas linhas que atendem ao Palácio, conforme verificação técnica da operadora Telepar Brasil Telecom.
Se eles tiverem provas não querem abrir, se é que realmente têm, comentou o relator da CPI, Algaci Túlio (PTB), referindo-se ao cabo da Polícia Militar Luiz Antonio Jordão a ao seu advogado Peter Amaro de Sousa. O advogado prometeu apresentar documentos comprovando as declarações de seu cliente, mas disse que só vai revelar o teor dos documentos no momento que considerar oportuno para a defesa. O cabo Jordão afirma que comitês de campanha de adversários foram alvos de grampos, assim como gabinetes de secretários.
Segundo o cabo Jordão, havia uma sala no quarto andar do Palácio Iguaçu, de onde eram feitas escutas. Nessa sala, estariam mapas do Tribunal de Justiça e do Tribunal de Contas.
Devem estar jogando taticamente e só devem repassar as informações depois que ouvirmos o Gerson Guelmann (secretário especial da Chefia de Gabinete do governador) e o coronel Luis Antônio Borges Vieira (chefe da Casa Militar), ponderou Túlio.
Os funcionários da Telepar e responsáveis pela Defense, Jeferson Martins Storrer e Edgar Fontoura Filho não vão depor hoje. Eles estão de férias e não se encontram em Curitiba. Garcia disse que eles serão reconvocados e que, se for necessária uma terceira convocação, serão trazidos sob escolta policial.
Vão depor a partir das 14 horas o capitão Nelson Argemiro Soares Júnior, da Casa Militar; o capitão Everon Cezar Purchetti, do 17º Batalhão da PM ambos citados no depoimento do cabo Jordão; além do delegado do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) Vinícius Augustus de Carvalho. Os depoimentos do chefe da Casa Militar, coronel Luis Antônio Borges Vieira, e do assessor do governador, Gerson Guelmann, ainda não têm data marcada. (M.D.)


