Curitiba - Com plenário vazio e sem mobilizações populares, os vereadores de Curitiba que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aprovaram ontem, por seis votos a três, relatório final que não recomenda nenhum tipo de punição ou responsabilização do presidente da Casa, João Cláudio Derosso (PSDB), pelos contratos firmados com duas agências de publicidade, a Oficina da Notícia e a Visão Publicidade. Foram gastos R$ 31,9 milhões em publicidade com dinheiro da Câmara, no período de 2006 a 2011. A Oficina da Notícia é de propriedade da esposa de Derosso, a jornalista Claudia Queiroz Guedes, que na época em que o primeiro contrato foi firmado, era servidora da Câmara. Derosso está afastado temporariamente da Câmara, por 90 dias, por decisão prória, tomada depois que o Ministério Público (MP) estadual apresentou ação civil pública que também questiona esses contratos.
A decisão dos vereadores integrantes da CPI foi tomada apesar de o texto do relatório, feito por Denilson Pires (DEM), reconhecer a existência de ''indícios de irregularidades'' nos contratos. O relator disse que, apesar desses indícios, não é possível apontar culpados e que a CPI não tem tem poder de polícia. Em relação ao jornal ''Câmara em Ação'', pago com verba da Câmara para divulgar ações da Casa, mas desconhecido dos vereadores até o aparecimento do caso, em julho deste ano, o texto diz ainda que ''não foram detectadas evidências de que tenha havido qualquer malversação do dinheiro público ou qualquer tipo de descumprimento contratual''.
Antes mesmo de ser votado ontem, parte do relatório vazou e os dois vereadores de oposição que integravam a CPI, Pedro Paulo (PT) e Paulo Salamuni (PV), decidiram apresentar um relatório paralelo, que frisa a necessidade de responsabilizar Derosso, recomendando ao plenário da Câmara o seu afastamento definitivo da presidência da Casa. ''O relatório oficial é incompleto e não contempla o clarmor da sociedade'', defendeu Pedro Paulo. Além dele e de Salamuni, o terceiro voto contrário ao relatório oficial foi dado por Tito Zeglin (PDT). O presidente da CPI, Emerson Prado (PSDB), decidiu que tanto o relatório oficial quanto o relatório independente serão encaminhados ao Ministério Público (MP) e ao Tribunal de Contas (TC) estaduais.
A leitura do relatório foi feita para um plenário praticamente vazio. Dos 38 parlamentares, havia apenas 12 presentes: os nove da CPI e outros três da bancada de oposição: Professora Josete (PT), Johnny Stica (PT) e Algaci Túlio (PMDB). O próprio Derosso também não estava e Professor Galdino (PSDB) ficou por ali apenas alguns minutos. Diferente de manifestações populares realizadas quando o caso veio à tona, ontem não houve protestos na Câmara. Apenas dois militantes chegaram a levar duas caixas de pizza para a Casa, mas foram impedidos de entrar no plenário por um segurança do local.
Durante a apresentação do relatório final, colegas de longa data de Derosso na Casa fizeram questão de defendê-lo, como no caso da vereadora Nely Almeida (PSDB). ''O único erro foi a falta de ética, mas não vi nenhum motivo para crucificar o presidente da Casa, nem mesmo para qualquer outra punição. Tudo o que pudemos fazer, nós fizemos. Não houve lesão ao serviço público'', sustentou.

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