CPI da Pirataria ouve empresários em Foz
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terça-feira, 19 de agosto de 2003
Alexandre Palmar<br>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - Deputados federais da CPI da Pirataria desembarcaram ontem em Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira, apontada uma das principais portas de entrada do contrabando do Paraguai para o Brasil. O primeiro dos dois dias de atividades dos parlamentares foi marcado por depoimentos de quatros pessoas, três delas empresários ligados à fabricação de cigarros no país vizinho. A quarta pessoa teve identidade preservada por ''questões de segurança''.
O principal empresário ouvido pelos parlamentares foi João Celso Minosso, 39, que foi condenado em junho pela Justiça Federal a 11,4 anos de prisão sob acusação de encabeçar uma quadrilha de contrabando de cigarros. Também foram condenadas outras cinco pessoas supostamente ligadas a rede.
Preso em novembro de 2002 em Foz, Minosso depôs na Câmara Municipal, mas pouco colaborou para as investigações. Ele se negou a responder a maioria das perguntas da comissão. O segundo a depor, mas como testemunha do caso, foi Narciso Valiatti, tio e sócio majoritário na empresa de Minosso. A maior dúvida da comissão foi saber porque Valiatti ficou livre da ação que condenou o colega.
Diante da reposta ''insatisfatória'', os deputados anunciaram possível pedido de quebra de sigilos bancários e telefônicos dele. Valiatti argumentou ter sido acometido por uma esclerose múltipla em 1998, por isso deixou o negócio sob o comando do sobrinho. O empresário César Cabral também depôs como testemunha convidada. Cabral disse possuir uma indústria legalizada no país vizinho e, perguntado, contou detalhes do sequestro sofrido este mês no Paraguai.
O depoimento que mais contribuiu para os trabalhos, conforme os parlamentares, foi de um homem preso em Foz sob acusação de contrabando, mas cuja identidade foi mantida em segredo. Intimado a depor, ele chegou a Casa de Leis envolto num lençol, despertando atenção dos holofotes. Inicialmente, se recusou a falar diante dos jornalistas. Com a saída dos repórteres, falou à porta fechada com a comitiva vinda de Brasília.
Segundo o presidente da CPI da Pirataria, deputado Luiz Antônio de Medeiros (PL/SP), a audiência obteve ''muitas informações importantes'' sobre o contrabando de cigarros.


