CPI da Petrobras já tem mais de 245 pedidos de convocação
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segunda-feira, 02 de março de 2015
Daiene Cardoso e Daniel Carvalho<br> Agência Estado 
Brasília - No primeiro dia de recebimento de requerimentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, mais de 245 pedidos já foram protocolados até meados da tarde de ontem. Foram apresentados solicitações para convocações de autoridades, empresários e envolvidos no esquema de corrupção na estatal, além de solicitação de compartilhamento de informações e documentos da Operação Lava Jato, acareações e quebra de sigilo bancário.
Entre convites e convocações, aparecem os nomes da socialite Val Marchiori e seu amigo, o atual presidente da estatal Aldemir Bendine, os ex-presidentes da Petrobras Graça Foster e José Sérgio Gabrielli, os ex-ministros José Dirceu, Antônio Palocci, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, o senador Fernando Collor, o ex-tesoureiro da campanha presidencial do PT Edinho Silva e o tesoureiro petista João Vaccari Neto.
Os condenados do mensalão Delúbio Soares e Marcos Valério também podem ser ouvidos pela CPI. Até Marina Mantega, filha do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, pode ser convidada a prestar esclarecimentos. Dos arrolados na Operação Lava Jato, os deputados querem ouvir os ex-diretores da estatal Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró, Renato Duque, o ex-gerente Pedro Barusco e o doleiro Alberto Youssef.
A ex-gerente da estatal Venina Velosa pode ser convocada e há requerimento para aprovação de convite para ouvir o juiz Sérgio Moro. Após a instalação, a CPI terá reunião na próxima quinta-feira para votar os requerimentos e discutir a criação de subrelatorias.
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sinalizou na tarde de ontem que não permitirá que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras investigue possíveis irregularidades durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O peemedebista disse que é um "regimentalista" e que a proposta de CPI autorizada restringe as apurações entre o período de 2005 e 2015. "A ementa que está lá tem de ser cumprida", defendeu.
O PT gostaria que a CPI também se estendesse aos contratos da Petrobras no governo tucano, uma vez que o ex-gerente da estatal Pedro Barusco confessou que recebia propina da SBM Offshore desde 1997. Cunha ressaltou que o regimento não permite alteração da ementa. "Se quiserem fazer um CPI diferente do que está lá, tem de fazer outro requerimento de CPI", avisou.
Às vésperas da divulgação dos nomes dos políticos implicados na Operação Lava Jato, Cunha afirmou que não espera um período de "turbulências" no cenário dos próximos meses. Ontem, o ministro da Defesa, o petista Jaques Wagner, afirmou que o pedido de investigação de políticos envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras causará "turbulência" no momento em que o País precisa de "calma e tranquilidade". "Não acredito, não. Até porque o fato de propor inquérito não significa que está se culpando ninguém, vai se dar o beneplácito da defesa. Não vejo turbulência. Quantos inquéritos no Supremo estão em tramitação?", opinou. Para o peemedebista, a democracia brasileira está avançada e as instituições saberão "se defender de qualquer tipo de turbulência".
Sobre a possibilidade de envolvimento de deputados, o peemedebista informou que já pediu que as lideranças partidárias indiquem até a amanhã os membros que farão parte do Conselho de Ética da Câmara. Neste colegiado tramitam as representações de quebra de decoro contra os parlamentares. A ideia é instalar o Conselho até a próxima semana. Em sua opinião, a divulgação da lista de políticos não criará dificuldades para o andamento dos trabalhos na Casa. (Colaborou Daiene Cardoso)


