CPI da Petrobras é coisa de quem não tem nada a fazer
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domingo, 17 de maio de 2009
Andrei Netto<br> Agência Estado 
Riad - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu ontem, em Riad, na Arábia Saudita, a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de irregularidades na administração contábil da Petrobras como ''questão político-eleitoral''. De acordo com ele, a decisão de manter a assinatura do requerimento para a implantação da CPI, tomada por 30 senadores na noite de sábado, é coisa de ''quem não tem mais nada a fazer''.
As declarações foram feitas em entrevista coletiva no início da noite, em Riad (início da tarde no horário brasileiro). Depois de pedir aos jornalistas presentes que privilegiassem questões relativas à viagem à Arábia Saudita e não fizessem perguntas sobre a política interna do Brasil, Lula se dispôs a responder. Para o presidente, a instauração da CPI não causa temor algum ao governo. ''Do ponto de vista prático, não tem (receio) nenhum'', afirmou.
Lula disse que todos os comentários que teria a fazer sobre o assunto havia feito na base aérea de Brasília, antes da viagem. Na oportunidade, o presidente afirmou que a CPI não era do Congresso Nacional, e sim ''muito mais do PSDB''. ''Não vou tocar em um assunto que é interesse específico do Senado. Todas as pessoas ali têm dados suficientes para fazer o que entenderem melhor'', reiterou.
Lula lamentou que a investigação seja aberta em um ''momento de ouro na área do petróleo'', quando o governo proporá um debate nacional sobre o novo marco regulatório do setor. ''Estamos viajando o mundo em busca de recursos para que a Petrobras possa intensificar a exploração do pré-sal'', alegou. ''Não podemos transformar isso em uma questão de política eleitoral envolvendo a empresa mais importante que o Brasil tem''. Então, voltou a disparar contra os partidários da CPI: ''De qualquer forma, se as pessoas que assinaram o requerimento não têm mais nada para fazer, que façam. Nós vamos continuar tocando o barco''.
A criação da CPI da Petrobras foi definida à meia-noite de sábado, quando apenas dois senadores - Cristovam Buarque (PDT-DF) e Aldemir Santana (DEM-DF) -, das seis defecções que o governo precisava, aceitaram retirar suas assinaturas. De acordo com o requerimento redigido pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR), a CPI deverá investigar possíveis irregularidades no licenciamento da refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, a distribuição de royalties e as manobras contáveis que teriam evitado o pagamento de RS$ 4,3 bilhões em impostos devidos pela Petrobras.


