CPI da Petrobras aprova convocação de José Dirceu
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quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras confirmou ontem que pretende ouvir o ex-ministro da Casa Civil no governo Lula José Dirceu, que está preso em Curitiba em virtude das investigações da Operação Lava Jato. O requerimento solicitando a oitiva com o investigado foi aprovado e já foi encaminhado à Justiça Federal do Paraná, onde devem ocorrer as audiências a partir da próxima segunda-feira. O político segue detido na carceragem da sede da Superintendência da Polícia Federal (PF), também na capital paranaense.
A expectativa dos deputados é de que Dirceu possa esclarecer a suspeita de que recebeu propina de fornecedores da Petrobras por meio de sua empresa, a JD Consultoria. O Ministério Público Federal (MPF) investiga se a consultoria de Dirceu prestou serviços a empresas que desviaram dinheiro da estatal ou se os contratos eram apenas uma maneira de disfarçar repasses de verba desviada.
Além de Dirceu, também foram convocados Jorge Luiz Zelada, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras; Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez; Marcelo Bahia Odebrecht, presidente da Odebrecht; o lobista Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura (que mantém antigas ligações com o PT); Elton Negrão de Azevedo (ex-diretor da Andrade Gutierrez); João Antonio Bernardi Filho (executivo da Saipem); Márcio Faria da Silva (executivo da Odebrecht); César Ramos Rocha (executivo da Andrade Gutierrez); Rogério Santos de Araújo (executivo da Odebrecht e do estaleiro Jurong); Alexandrino de Salles Ramos de Alencar (executivo da Odebrecht); o ex-gerente de Projetos da Petrobras Celso Araripe de Oliveira e o publicitário Ricardo Hoffman.
Os depoimentos devem ocorrer entre segunda e terça-feira. A partir de quarta-feira, a CPI pretende realizar ao menos duas acareações entre os investigados na Lava Jato. Uma seria entre o doleiro Alberto Youssef, a doleira Nelma Kodama e sua "auxiliar" Iara Galdino da Silva. Outra acareação ocorreria entre o executivo do grupo Setal e delator Augusto Mendonça de Ribeiro Neto e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque.
Entretanto, o desejo dos parlamentares de ouvir o ex-ministro de Lula e os demais pode ser frustrado. A convocação não garante que o investigado responda às perguntas dos parlamentares e, como já ocorreu em outras oitivas da CPI da Petrobras, muitos dos convocados usaram o direito de permanecer em silêncio.
Pelo menos esta será a posição adotada pelo ex-diretor da estatal Jorge Luiz Zelada. Em petição protocolada ontem na Justiça Federal, os defensores afirmam que o ex-dirigente da Petrobras vai permanecer calado durante a oitiva. "Antecipa-se, de pronto, que Jorge Zelada, que está preso e já denunciado, isto é, fatos investigados e processados, exercerá o direito constitucional ao silêncio", informam seus advogados na petição.


