CPI da grilagem chama Jader para depor
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terça-feira, 21 de agosto de 2001
Ricardo Mignone<BR>Agência Folha 
O presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), deverá prestar depoimento hoje, às 15h30, à CPI da Grilagem de Terras Públicas na Câmara. Os integrantes da CPI aprovaram por 13 votos a favor e um contra o requerimento apresentado pelo deputado Asdrubal Bentes (PMDB-PA), convocando Jader. O senador ainda não confirmou se irá comparecer.
Jader é acusado de envolvimento em desapropriações irregulares nos Estados do Para e do Amazonas quando era ministro Reforma Agrária, entre setembro de 1987 e julho de 1988, durante o governo de José Sarney. Segundo o relatório da comissão, o senador teria elevado de R$ 7 milhões para R$ 313 milhões o valor da indenização a ser paga pelo governo na desapropriação de uma propriedade. Além disso, o relatório da CPI aponta Jader como dono de 7% das terras do Pará.
Segundo entendimento da CPI, ele poderá ser indiciado caso não compareça para esclarecer as acusações. O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), porém, afirmou que Jader, por ser parlamentar, tem a prerrogativa de escolher local, data e hora para depor.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara também deve votar hoje pedido de abertura de uma CPI para investigar a atuação de Jader durante o período em que foi ministro no governo Sarney. O pedido está engavetado desde 1992 e entrou na pauta da comissão ontem, mas não pôde ser votado por causa das discussões em torno do Código de Ética da Câmara.
Jader é acusado, como ministro da Previdência Social, de vender e permutar imóveis favorecendo compradores e intermediários, intermediar pagamentos irregulares de contas em atraso com hospitais e promover concorrências fraudulentas. A principal suspeita refere-se à compra de terras em Marabá (PA), num total superior a 1 milhão de hectares, com resgates dos títulos no prazo de cinco anos, quando o normal é de 20 anos.
O presidente da CCJ, Inaldo Leitão (PSDB-PB), acredita que o pedido de abertura será aceito. Se o plenário da comissão votar a favor da CPI, o pedido será encaminhado para a secretaria-geral da Mesa Diretora, que o remeterá para o plenário, onde será votado.


