Curitiba - O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa criada para investigar a prática de suposta espionagem na Casa foi aprovado ontem pelos membros do grupo. Mas as perguntas que justificaram a abertura dos trabalhos - se os aparelhos encontrados na Casa foram instalados para espionagem e quem fazia uso deles, por exemplo - não foram totalmente respondidas. Assinado pelo deputado estadual Mauro Moraes (PMDB), o relatório aponta somente dois únicos ex-funcionários da AL como os responsáveis por uma compra supostamente irregular de aparelhos que teriam como finalidade o bloqueio de celulares. Nenhum parlamentar é citado no documento.
O relatório utiliza os laudos do Instituto de Criminalística para concluir que, entre os aparelhos apreendidos, apenas um, instalado na Central Telefônica do prédio dos gabinetes dos parlamentares, ''poderia ser capaz de reproduzir um grampo telefônico''. Todos os demais aparelhos e acessórios encontrados na Casa seriam bloqueadores de sinais de telefones celulares.
Ainda segundo o relatório, tais bloqueadores de celular foram instalados no ano passado no gabinete da presidência da AL e no gabinete do primeiro-secretário, cargos exercidos na época por Nelson Justus (DEM) e Alexandre Curi (PMDB). Os parlamentares, contudo, não foram ouvidos na CPI. A compra dos aparelhos, segundo o relatório, foi solicitada pelo então diretor administrativo da Casa Francisco Ricardo Neto e, no entendimento dos membros da CPI, o servidor assumiu a responsabilidade pela aquisição.
Neto teria feito a compra por iniciativa própria, sem que os parlamentares soubessem do gasto, que estaria autorizado apenas pelo ex-diretor geral Eron Abboud. Os bloqueadores de celular teriam sido comprados porque os toques dos telefones atrapalhariam as reuniões nos gabinetes. A justificativa foi dada por Neto num depoimento prestado à CPI. O ex-diretor administrativo chegou a sugerir que o então chefe de gabinete de Justus, Sérgio Monteiro, sabia da compra. A CPI então fez uma acareação entre Neto e Monteiro, mas o ex-chefe de gabinete de Justus negou que soubesse da compra.
Embora a CPI não tenha comprovado que os aparelhos serviam para espionagem, a própria compra de bloqueadores de celular teria sido irregular. O relatório da CPI aponta suspeita de fraude na licitação, que custou R$ 30 mil aos cofres da AL, e menciona que a Anatel não autoriza o uso de bloqueadores de celular em locais como o Legislativo.
Cópia do relatório será remetida ao Ministério Público do Estado ''para aprofundamento das investigações e responsabilização dos possíveis infratores''. O relatório sugere ainda que Neto responda por crime de improbidade administrativa.

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