CPI da Espionagem quer acareação entre técnicos
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quinta-feira, 14 de abril de 2011
Catarina Scortecci e Marcela Rocha Mendes <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O relator da CPI da Espionagem na Assembleia Legislativa (AL), Mauro Moraes (PMDB), defende uma acareação entre os técnicos do Instituto de Criminalística (IC) e da empresa Embrasil, contratada para fazer uma varredura na Casa por determinação do deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB), que assumiu o comando em fevereiro. A intenção do relator foi manifestada ontem, depois que os técnicos do IC entregaram à CPI da Espionagem o laudo a respeito dos aparelhos encontrados durante a varredura.
O laudo aponta que os aparelhos analisados não serviam de escuta, com exceção de um, instalado no quadro de telefonia da Casa, no térreo, que pode ter sido usado como grampo. O laudo do IC, contudo, acredita que o fato de o aparelho encontrado no quadro de telefonia não ter sido retirado pelos próprios peritos do órgão, pode ter prejudicado a análise. O aparelho do quadro de telefonia foi identificado pelos técnicos da Embrasil como um ''grampo clássico'', já no momento da varredura.
Segundo o perito do IC Rubens Alexandre de Faria, responsável pelo laudo, foram analisados 30 aparelhos na AL. A análise de parte do material, contudo, teria mesmo ficado comprometida porque os aparelhos foram retirados dos locais onde estavam instalados na Casa pelos técnicos da Embrasil, e não pela equipe do IC. Apesar da ressalva, o perito do IC afirma que os aparelhos podem ser considerados bloqueadores de celular ou mesmo aparelhos de contra espionagem. Não haveria, portanto, grampos instalados na Casa, com exceção do ''grampo clássico'' mencionado pela Embrasil e citado no laudo do IC como possível grampo.
Mas o laudo do IC contraria quase a totalidade do relatório feito pela empresa Embrasil. O perito da Embrasil Antonio Carlos Walger, embora admitindo que havia feito apenas um laudo visual, disse em depoimento prestado à CPI da Espionagem que durante seus 15 anos de experiência na área nunca tinha visto bloqueadores de celular que se assemelhassem aos aparelhos encontrados na AL.
Ainda em seu depoimento, Walger explicou que bloqueadores de celular também poderiam ser transformados em aparelhos de escuta. ''Eu já vi equipamentos sendo comprados para contra espionagem serem usados para espionagem'', disse ele, na ocasião. Questionado sobre o assunto, o perito do IC Rubens Alexandre de Faria contestou a declaração de Walger. ''Ele falou besteira. Para transformar bloqueador de celular em escuta teria que mudar 90% do circuito, e isso é praticamente impossível'', criticou ele.


