CPI da Corrupção obtém 27 assinaturas
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terça-feira, 17 de abril de 2001
Tânia Monteiro e Gerson Camarotti Agência Estado De Brasília 
Com o apoio de dois senadores do PMDB, a oposição conseguiu ontem as 27 assinaturas necessárias no Senado para instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que irá investigar denúncias de corrupção em 18 diferentes áreas do governo. A oposição na Câmara terá até quarta-feira da semana que vem para obter as 26 assinaturas que faltam para instaurar uma CPI mista. Caso a oposição constate que a investigação nas duas Casas é inviável, o líder do PT no Senado, José Eduardo Dutra (SE), comunicará aos parlamentares, no plenário, que a investigação será realizada apenas no Senado.
Assim que as duas últimas assinaturas foram dadas em plenário Casildo Maldaner (SC) e Amir Lando (RO) o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda, pediu a palavra e anunciou a estratégia do governo: vai fazer um requerimento à Comissão de Constituição e Justiça que a classifique como inconstitucional. Já disponho, em mãos, de um parecer de juristas, encomendado pelo PSDB, que considera esta CPI inconstitucional por ela ser ampla e irrestrita, declarou Arruda. O governo vai tentar, ainda, pressionar os integrantes da base aliada que retirem suas assinaturas do pedido de inquérito.
A divulgação da notícia de que a oposição conseguiu as assinaturas no Senado para a CPI teve repercussão no mercado financeiro. O dólar, que havia registrado a maior baixa do dia (R$ 2,186), depois da informação, atingiu R$ 2,197, o que representou uma alta de 0,05% em relação ao dia anterior. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) oscilou bastante durante todo o dia. Minutos depois da divulgação da possibilidade de abertura das investigações, a Bovespa teve a maior baixa (14.222 pontos), recuperando, em seguida, e no fechamento conseguiu chegar a 14.336 pontos.
As duas assinaturas surgiram ontem em decorrência do desgaste que o PMDB está sofrendo em barrar a CPI e também por causa dos constantes ataques ao presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PA). Portanto, não foram só os problemas regionais que levaram Maldaner a dar o seu voto à comissão, como ele justificou ontem. Ambos foram liberados pelo partido.
Se a CPI for mesmo instalada, embaralha a crise política e se desvia a atenção e os constantes ataques a Jader. Além disso, o PMDB poderá conduzir o processo de criação da CPI, escolhendo o relator ou o presidente, conforme preferir, além de influenciar na indicação do outro. Dessa forma, será possível também direcionar as investigações, priorizando, por exemplo, as denúncias contra o Executivo ou o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e evitando que se vasculhe problemas na Sudam, que possam atingir o presidente peemedebista. Por isso mesmo, o partido comemorou as duas últimas assinaturas.
Depois de dar seu voto, sob os holofotes, o senador Amir Lando fez um discurso. Honrando minhas palavras e por questão de princípio não poderia impedir as investigações e agora complementento de forma definitiva o apoio, anunciou Lando. Maldaner, logo depois, mais tímido, completou: Fui pressionado pela família e pelos companheiros no Estado.
Logo após, foi a vez de o senador Pedro Simon (PMDB-RS) fazer um apelo para que todos contribuam para que a CPI seja instalada. Fica ruim para nós se não sair, afirmou. Segundo ele, se não for possível sair uma CPI mista, que ela seja só no Senado já que os dois principais envolvidos são daquela Casa. Na Câmara, o PT se prepara para contra-atacar. Agora, vamos tentar pressionar o PMDB também na Câmara, assim como o PL e outros partidos que ainda não assinaram, para que viabilizem a CPI mista, avisou o líder do bloco oposicionista, deputado Walter Pinheiro (BA).


