CPI da Corrupção aposta na ira de ACM
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de maio de 2001
Denise Madueño e Raquel Ulhôa Agência Folha De Brasília 
Os partidos de oposição apostam em eventuais fatos que o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) poderá revelar para dar fôlego ao pedido de instalação da CPI da Corrupção. ACM prometeu não preservar ninguém no discurso que fará na quarta-feira, quando deverá formalizar a sua renúncia. Para a oposição, a renúncia de ACM e a de José Roberto Arruda (sem partido-DF), anteontem, não significam, porém, novas assinaturas no pedido de CPI do Senado. Não temos expectativa de assinaturas imediatas na CPI. O que poderá mudar esse quadro é o fato de essas duas figuras decidirem revelar fatos novos, afirmou o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA).
O petista considera que Arruda e ACM têm muito a dizer. Segundo ele, Arruda, que foi líder do presidente Fernando Henrique Cardoso no Senado, participava das reuniões de governo, e ACM, como presidente do Senado, executava as ações decididas nas reuniões. Ele (ACM) foi decisivo na questão da investigação de Eduardo Jorge (ex-secretário-geral da Presidência), disse Pinheiro. Na avaliação da oposição, caso novas denúncias de corrupção sejam apresentadas, poderá haver uma pressão para que os senadores e os deputados assinem o pedido de CPI.
O suplente Lindberg Cury (PFL-DF), que assume a vaga deixada com a renúncia do senador José Roberto Arruda na próxima segunda-feira, afirmou que concorda com a CPI. Mas isso não significa que ele assinará o requerimento da oposição. Cury vai se reunir com a Executiva do partido no Distrito Federal na segunda para discutir a questão. Temos de acompanhar as normas partidárias, mas, de maneira convicta, sou a favor da CPI, afirmou.
A oposição conseguiu até agora 22 assinaturas a favor da CPI no Senado e conta com três apoios dos senadores do PPS. O mínimo exigido é de 27 assinaturas. O pedido de CPI mista (com deputados e senadores) foi arquivado com a retirada de assinaturas de deputados depois da operação abafa do governo.
Na próxima semana, os partidos de oposição vão se reunir com representantes de entidades de classe e sindicais para montar a estratégia de mobilização para a chamada Marcha dos 100 mil, marcada para o dia 27 de junho em defesa da CPI.
Ontem, o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), negou o pedido de juristas para processar FHC por crime de responsabilidade, primeira etapa para a abertura de processo de impeachment.
A denúncia contra FHC foi apresentada por Celso Antônio Bandeira de Melo, Dalmo Dallari, Fábio Konder Comparato, Goffredo da Silva Telles Júnior, Goffredo Carlos da Silva Telles e Paulo Bonavides.
Os juristas consideraram que o presidente cometeu crime de responsabilidade ao conceder vantagens aos deputados em troca da retirada de assinatura no pedido de CPI Mista da Corrupção. A oposição vai recorrer ao plenário contra a decisão de Aécio.


