Os partidos de oposição insistem em colher assinaturas para a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da corrupção, envolvendo 12 temas, mas não é este movimento que tem tirado o sossego e o humor do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O governo sabe que, mesmo tendo de perder alguns anéis, liberando recursos de emendas parlamentares para atender aos chantagistas da base aliada, a CPI da oposição não irá adiante porque levanta suspeitas sobre todo mundo. Entre o presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), um autêntico anti-ACM, e o deputado José Genoíno (PT-SP), que encabeça a lista dos simpatizantes do senador baiano, a oposição unificou-se numa proposta de CPI ampla, para não ficar a reboque do PMDB de Jader, nem do PFL do trombone e muito menos do Planalto.
Apesar da trégua da semana passada, em que ACM ocupou a tribuna apenas para discursar sobre o cacau, o clima de guerra predomina na base. Na última semana, a cúpula do PMDB reconheceu o erro de desmobilizar-se depois de eleger o presidente do Senado e de tentar transformá-lo em ‘‘estadista acuado’’. De agora em diante, Jader deixará a cadeira de presidente e descerá à tribuna para responder a cada ataque que vier de ACM ou do governo.
Em conversa com Fernando Henrique na Alvorada, os cardeais do PMDB justificaram a mudança, mas garantiram que não responderão aos ataques com CPIs contra o governo. Ainda assim, a idéia de CPI apavora ministros, líderes e colaboradores do Planalto. A avaliação geral é a de que a abertura de inquérito, sobre qualquer que seja o tema, acabará arrastando outros, como num efeito dominó explosivo, a ponto de precipitar o fim do governo.
(Agência Estado)

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