CPI da Copel/Sercomtel vai convocar Belinati
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quinta-feira, 03 de abril de 2003
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga, entre outras coisas, a venda de 45% das ações Sercomtel companhia de telefonia de Londrina para a Companhia Paranaense de Energia (Copel), em maio de 1998, vai convocar o ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido), principal responsável pela operação. A transação envolveu R$ 186 milhões e o Ministério Público (MP) suspeita que houve desvio de recursos. A CPI fez ontem sua primeira audiência pública e os depoentes apontaram que Belinati e o ex-secretário municipal de governo Gino Azzolini Neto é quem podem esclarecer o assunto.
Azzolini Neto foi convocado formalmente ontem pela CPI, mas não compareceu. Vai ser reconvocado para a próxima reunião da comissão, marcada para terça-feira. Furiosos com a ausência, os parlamentares não descartam a possibilidade de pedir até ajuda policial, se necessário, para garantir a presença de Azzolini e do ex-servidor da Copel Alceu Adalberto Fardin, também convidado a depor e que não compareceu. Já a convocação de Belinati ainda está sendo amadurecida e pode ficar para mais tarde. A CPI tem 120 dias, prorrogáveis, para apurar se a transação foi lesiva ou não aos cofres públicos.
O ex-secretário da Fazenda de Londrina Luiz César Guedes reiterou ontem que não era de sua competência, mas sim do secretário municipal de governo, por exemplo, autorizar solicitações de empenho de recursos. As declarações de Guedes levaram os deputados a concluir que Azzolini Neto pode vir a esclarecer o número de contas bancárias usadas pela Prefeitura de Londrina e o destino dos recursos após a venda das ações para a Copel.
Já o ex-presidente da Sercomtel Rubens Pavan, o outro depoente ouvido pela CPI, afirmou que não tinha respostas para algumas questões e sugeriu que quem poderia esclarecer várias questões à CPI seria a própria prefeitura, comandada na época por Antonio Belinati. Mesmo tendo participado da operação, Pavan e Guedes afirmaram mais de uma vez aos deputados desconhecer informações. Os membros da CPI não ficaram satisfeitos com os depoimentos, que não esclareceram pontos críticos do assunto.
''Queremos saber por que os pagamentos da Copel foram depositados em diferentes contas bancárias? Quem eram os responsáveis pela liberação do dinheiro arrecadado com a venda das ações:'', questionou o presidente da CPI, Marcos Isfer (PPS). Outro ponto que intriga os deputados da comissão foi o fato da Prefeitura de Londrina ter procurado o Banestado, em 1999, para vender R$ 2,4 milhões em ações preferenciais da Sercomtel. ''Nessa época a prefeitura estava com as finanças regularizadas porque tinha acabado de receber o dinheiro da Copel'', garantiu o ex-secretário municipal da Fazenda.
Tanto Pavan como Guedes faziam parte do Conselho de Gestão Financeira (Codefi), criado para gerenciar os recursos oriundos da venda das ações. Entretanto, ambos afirmaram não saber o destino dos recursos, bem como o porquê de a prefeitura ter recorrido ao Banestado. Nesta época, Pavan era inclusive presidente da empresa.


