CPI da Copel investiga contratos suspeitos
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segunda-feira, 31 de março de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O sub-relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Copel-Sercomtel, deputado Tadeu Veneri (PT), encaminhou ontem a todos os órgãos do governo pedido de informações sobre contratos que foram firmados entre o poder público e a Associação dos Diplomados da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (Adifea) da Universidade de São Paulo nos últimos oito anos. Ele quer comparar os acordos com os que a Copel fez com a Adifea para saber se houve uniformidade de preços.
De acordo com documentos entregues pela atual direção da Copel aos integrantes da CPI, a Adifea recebeu R$ 16,8 milhões para fazer um levantamento dos créditos tributários que a Copel tinha a receber entre 1991 a 1996. Pelo levantamento, foram contabilizados R$ 167,4 milhões em créditos, considerados de difícil resgate. Para facilitar a operação e para que a Secretaria de Estado da Fazenda homologasse os créditos, a estatal quitou uma dívida de R$ 87,9 milhões do Estado (referentes a contas de luz e outros repasses) e aceitou reduzir o valor dos créditos para R$ 84 milhões. Descontado o pagamento de tributos, a Copel tem a receber, em tese, R$ 55 milhões em créditos.
Na avaliação de Veneri, a Adifea se beneficiou no contrato com a Copel, porque recebeu 20% sobre R$ 84 milhões, sendo que a Copel só tem a receber R$ 55 milhões. Além disso, a associação recebeu à vista já em 12 de setembro de 2002, conforme nota fiscal. A direção da Copel fez uma consulta ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) para realizar o pagamento e obteve parecer favorável do conselheiro Heinz Herwig, da 6 Inspetoria, responsável pela Copel. Mas a consulta foi feita em 13 de setembro, depois do pagamento.
A CPI vai investigar outros pagamentos que teriam sido feitos pela Copel à Adifea. O deputado quer saber quais são as empresas e os créditos levantados pela associação. ''Se forem de empresas falidas, não vale nada. Temos que saber se são possíveis de recebimento''.
A Adifea também presta serviços para o Detran do Paraná. Foram assinados três contratos no ano passado com duração até 2006 e 2007, no valor de R$ 5,8 milhões. O diretor-geral do Detran, Marcelo Almeida diz que está tentando reduzir os valores a serem pagos. A Folha tentou falar com o presidente da Adifea, José Guilherme Hausner, mas ele não retornou a ligação.


