CPI da Copel está inviabilizada
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Luciana Pombo 
Os 19 deputados da base governista que tinham assinado o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades nas transações comerciais realizadas entre Copel, Sercomtel, Prefeitura de Londrina e banco FonteCindam voltaram atrás da decisão tomada há quase duas semanas e abandonaram a CPI, inviabilizando suas atividades. O ato foi oficializado durante a sessão de ontem, após uma tentativa da base governista de mudar o ato legislativo assinado pelo presidente Aníbal Khury (PFL) e garantir uma vaga a mais para o PFL. A oposição detinha a maioria das vagas (quatro), fazendo com que os governistas perdessem o controle das investigações.
As discordâncias da base governista em relação à composição da CPI foram agravadas após uma reunião do PDT, que teria afastado da liderança o deputado Moysés Leônidas, um dos articuladores da CPI. O líder do PDT, Edgar Bueno, teria dito que ele mesmo seria o indicado pelo partido para compor a comissão.
O próprio governador Jaime Lerner (PFL) convocou uma reunião com a bancada governista para discutir o assunto, ontem de manhã, no Chapéu Pensador, em Curitiba. Na reunião, Lerner teria mostrado sua preocupação em relação à condução dos trabalhos da CPI. O desgaste do governo seria inevitável e pesamos isso, disse um deputado da base aliada.
O líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), disse que os parlamentares perceberam que a CPI estava se transformando num palanque político. A CPI, de acordo com o ato legislativo assinado anteontem, seria composta por sete membros: um do PFL (Durval Amaral, governista), um do PTB (Ademar Traiano, governista), um do PPB (Tony Garcia, governista), um do PMDB (Caíto Quintana, oposição), um do PSDB (José Maria, oposição), um do PDT (Edgar Bueno, oposição) e um do PT (Angelo Vanhoni, oposição).
Os deputados da oposição se disseram surpresos com o recuo da base aliada. CPI é coisa séria, é como dar morfina para um doente. Acho que os deputados que assinaram e retiraram a assinatura serão penalizados pela própria opinião pública, afirmou Caíto Quintana (PMDB). Os deputados articulam uma ação judicial para tentar garantir a instalação da CPI na Casa.
Em Londrina, o prefeito Antonio Belinati anunciou ter colocado à disposição da Assembléia Legislativa todos os documentos da operação bancária que o ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida realizou com o banco FonteCindam. Mesmo com o fato de a CPI não ter sido levada adiante, Belinati considera importante que os documentos relativos ao assunto sejam liberados imediatamente. Ele lembrou que na operação feita pelo seu antecessor foram pagos juros de 3,88% ao mês, o que, segundo disse, seria basicamente a taxa normal bancária daquele período.
O presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, ressaltou que a liberação dos documentos é uma iniciativa importante para o preciso conhecimento da operação. Pavan reafirmou ainda que a parceria firmada com a Copel foi um momento fundamental para a vida da operadora e da cidade, por representar um novo período de crescimento na área de telecomunicações no Paraná e no País. (Colaborou Redação)


