CPI da Copel convoca ex-secretários de Lerner
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terça-feira, 12 de agosto de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a Companhia Paranaense de Energia (Copel) aprovou ontem as convocações dos ex-secretários de Estado José Cid Campêlo Filho e Ingo Hubert. No governo Jaime Lerner (PFL), Campêlo respondia pela Secretaria de Governo e Hubert pela presidência da Copel e Secretaria da Fazenda, cumulativamente. As audiências para tomar os depoimentos foram marcadas para os dias 26 de agosto e 2 de setembro, respectivamente. Com os dois depoimentos, os parlamentares pretendem encerrar as investigações das supostas irregularidades ocorridas durante a gestão anterior e preparar os sub-relatórios.
Hubert está sendo chamado porque respondia pela Copel e pela Fazenda, quando se consumou a compra de créditos tributários da Olvepar S.A. Indústria e Comércio, no valor de 39,6 milhões. A transação, questionada na Justiça pelo Ministério Público, ocorreu a toque de caixa, em dezembro do ano passado, durante o período de transição entre os governos Lerner e Roberto Requião (PMDB). A Olvepar, que trabalhava com a compra e venda de soja, estava falida desde junho de 2000 e vendeu à Copel créditos tributários considerados indevidos pela Justiça. Já Campêlo foi arrolado entre os depoentes por ter emitido parecer favorável à transação.
A transação também recebeu o aval da funcionária do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Desirée Fregonese, e do conselheiro Heinz Herwig, que também foi secretário de Estado dos Transportes durante o governo Lerner. No entanto, o requerimento do deputado estadual Tadeu Veneri (PT), sub-relator de créditos tributários da CPI da Copel, pedindo a convocação dos mesmos, foi recusado por seis votos a um.
Procurado pela Folha, Campêlo classificou a convocação como uma ''conspiração política'' que teria iniciado em abril passado com a tentativa de vinculá-lo ao funcionamento dos bingos no Paraná. O ex-secretário disse que não teve qualquer tipo de participação com transação de compra de créditos tributários da Olvepar. De acordo com ele, apenas emitiu uma manifestação a pedido de Hubert de que a compra de créditos de ICMS de farelo de trigo e soja era possível de ser realizada em tese. Campêlo afirmou que não tem medo de depor e vai embasar seu depoimento em dados técnicos. (Colaborou Leandro Donatti)


