CPI da Copel começa a preparar relatório final
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terça-feira, 09 de setembro de 2003
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A CPI da Copel da Assembléia Legislativa se reúne, amanhã, durante todo o dia para ouvir os últimos depoimentos e fazer as últimas acareações antes do relatório final. O momento mais aguardado será à tarde, quando acontece a acareação entre o ex-presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e ex-secretário de Estado da Fazenda Ingo Hubert e o ex-coordenador-geral da Receita Estadual João Manoel Delgado Lucena. Os deputados querem esclarecer divergências ocorridas nos dois depoimentos. Além de Lucena, as declarações de Hubert também devem ser confrontadas com depoimentos contraditórios de outros funcionários da Copel: o diretor de parcerias Gilberto Griebeler, o ex-diretor da contabilidade da empresa Cesar Bordin e Ricardo Dória.
Na acareação com Lucena, os deputados querem confrontar o depoimento de Hubert, que afirmou à CPI que em abril de 2002 a Receita Estadual emitiu um documento que sugeria benefícios na compra de créditos tributários da Olvepar S.A. Indústria e Comércio. O documento, segundo ele, sugeria que a operação era legítima e apontava dez acórdãos que davam ganho de causa judicial para empresas moageiras. Já Lucena afirmou que a Receita Estadual sempre se posicionou contra a realização da operação porque os créditos ''não tinham liquidez no mercado financeiro e representariam um risco para o governo do Estado''.
Os créditos somavam R$ 43 milhões e foram comprados com deságio por R$ 39,6 milhões em dezembro do ano passado. Segundo Lucena, ele teria sido consultado por três vezes pela diretoria da Copel. Numa das vezes, teria dito pessoalmente para o presidente Ingo Hubert que não avalizaria a transação. ''Para mim a questão estava encerrada. Eu deixei claro que não iria reanalisar o processo'', salientou aos deputados no mês passado.
A acareação com os funcionários da Copel também servirá para saber se o ex-presidente da Copel tinha ou não conhecimento de que o pagamento da Olvepar teria sido feito de forma irregular, já que a pessoa que recebeu e definiu os pagamentos para contas diferentes não tinha procuração jurídica da Olvepar. Hubert afirmou que não tinha conhecimento. Bordin, no entanto, declarou que levou a informação ao conhecimento de Hubert.


