Agência Folha
De Cuiabá
Arquivo FolhaTebet, da CPI do Judiciário: apuração está ‘‘demorando muito’’O presidente da CPI do Judiciário, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), disse ontem achar que a elucidação da morte do juiz Leopoldino Marques do Amaral está ‘‘demorando muito’’. Tebet declarou que ‘‘havia muitas pistas’’ para o esclarecimento do caso e, por isso, esperava que a Polícia Federal o desvendasse sem muita demora. A CPI foi prorrogada em razão do morte do juiz mato-grossense, cujo corpo foi encontrado no dia 7 de setembro em Concepción (Paraguai), com dois tiros e parcialmente queimado. O inquérito da PF foi instaurado no dia seguinte.
O superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso, Cláudio Luiz da Rosa, disse que sua expectativa é de que o trabalho seja concluído entre 30 e 60 dias do início das investigações, que se desenvolvem sob sigilo determinado pela Justiça.
Nesta semana, a CPI do Judiciário deve ouvir o advogado mineiro Marco Aurélio Rodrigues Ferreira, que teria sido forçado a pagar R$ 70 mil para que uma liminar a favor do seu sogro fosse confirmada no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A ‘‘venda’’ de sentenças foi uma das denúncias feitas pelo juiz morto contra o TJ.
Segundo o presidente da CPI do Judiciário, Ferreira está ‘‘com muito receio’’ de que aconteça algo contra sua integridade física. Tebet disse que a CPI adotará medidas de segurança para proteger o advogado. A CPI também intimou para depor nesta semana o empresário Josino Guimarães, acusado de intermediar a venda de sentenças em nome de desembargadores. Guimarães foi preso e depois solto por falta de provas após a morte de Amaral.
O advogado Zoroastro Teixeira disse que Guimarães, que é seu cliente, deve comparecer à CPI para ‘‘dizer a verdade’’. O deputado estadual Elarmin Miranda (PMDB-MT), que depôs na quarta-feira passada na CPI, acusou o desembargador Athaide Monteiro da Silva de envolvimento nessa ‘‘corretagem’’ de Guimarães. O desembargador divulgou nota dizendo-se ‘‘caluniado’’.
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está realizando exame de DNA que, conforme a polícia, só irá confirmar que o corpo encontrado é do juiz, como já demonstraram a impressão digital, a arcada dentária e ‘‘sinais particulares’’ em uma das pernas.

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