CPI convoca vice-presidente da Caixa
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quarta-feira, 22 de março de 2006
Adriano Ceolin e Luciana Constantino<br> Folhapress 
Brasília - A CPI dos Bingos aprovou ontem a convocação da vice-presidente de tecnologia da Caixa Econômica Federal (CEF), Clarice Copetti, para que ela esclareça o envolvimento do banco na quebra do sigilo da conta do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Por outro lado, a comissão preferiu não analisar ainda o requerimento para convocar o presidente da Caixa, Jorge Mattoso. Um integrante da CPI dos Bingos recebeu anteontem a informação de que a ordem para violar o sigilo de Costa teria partido do gabinete da presidência da Caixa. Os dados foram extraídos do sistema do banco com a senha de um gerente e teriam sido encaminhados a um assessor do ministro Antonio Palocci (Fazenda).
O depoimento de Copetti foi marcado para hoje, mas poderá ser adiado para a próxima semana caso haja solicitação da vice-presidente da Caixa. Copetti foi uma das dirigentes do banco, segundo o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que manifestou dificuldades para rastrear o nome do funcionário que teria obtido os dados do caseiro. A CPI obteve informações, porém, de que as supostas dificuldades de rastreamento não seriam reais.
Também há indícios de que os dados tenham vazado por meio de uma funcionária subordinada a Copetti, de acordo com Dias. Para o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), Mattoso sabe como o sigilo de Costa foi violado.
Senadores governistas votaram contra a convocação de Copetti usando o argumento de que o STF (Supremo Tribunal Federal) proibiu a comissão de tratar de assuntos relacionados ao caseiro. Uma regra foi quebrada [sigilo de Costa] e queremos que seja investigada. Mas então não pode valer quebrar todas as outras regras, disse Ideli. O presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), rebateu, dizendo que o argumento não é verdadeiro, já que o Supremo proibiu apenas a continuação do depoimento do caseiro à CPI.
Ontem, a CPI entrou com novo mandado de segurança no STF solicitando a liberação de uma outra convocação do caseiro, mas, para Efraim, os esclarecimentos de Costa já bastaram. O caseiro teve o sigilo de sua conta violado após ter confirmado à CPI que o ministro Palocci freqüentava uma casa no Lago Sul, em Brasília, alugada por ex-assessores da Prefeitura de Ribeirão Preto e que seria usada como local de lobby. Palocci nega que tenha estado na casa.
A Caixa abriu sindicância interna para apurar o vazamento dos dados e solicitou 15 dias para apresentar o resultado. Para o senador José Jorge (PFL-PE), Copetti também terá de explicar no depoimento o motivo desse prazo. É muito longo precisar de 15 dias para saber quem invadiu a conta, disse. A CEF, no entanto, estava prometendo divulgar nota ainda ontem com resultado parcial da sindicância.
A Polícia Federal trabalha com a mesma tese da CPI sobre o modo como foi violado o sigilo bancário do caseiro. Por conta disso, a CPI aprovou requerimento para que a mesma subcomissão que foi à Caixa faça também uma visita à sede da PF em Brasília. Além disso, a CPI aprovou a quebra de sigilo de nove empresas ligadas a casas de bingos. Entre elas, a Cinco Telecom, que pode ter pago o aluguel da primeira casa alugada em Brasília por ex-assessores de Palocci.


