CPI convoca presidente do Banestado
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Sérgio Wesley Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaAlvo ErradoRamalho: respostas devem ser dadas pelo presidente da Banestado Corretora, Carlos Valente A CPI dos Títulos Públicos aprovou ontem a convocação do presidente do Banestado, Domingos Murta Ramalho. Murta deve prestar depoimento na próxima terça-feira. Segundo o relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB), o presidente do Banestado terá que justificar a compra de títulos públicos emitidos irregularmente pelos Estados de Alagoas, Pernambuco e Santa Catarina.
De acordo com o relatório enviado pelo Banco Central à CPI, o Banestado e suas subsidiárias, em especial a Banestado Corretora, compraram no ano passado R$ 53,223 milhões em títulos públicos de vários Estados e municípios. A CPI vai checar por quanto esses títulos foram lançados no mercado e por quanto foram adquiridos pelo Banestado, afirmou Requião.
O senador disse que vários títulos foram lançados no mercado com 30% de deságio. Segundo Requião, o Banestado comprou esses papéis pelo preço de face das mãos das corretoras envolvidas no escândalo nacional dos precatórios.
Requião afirma que o Banestado poderia se beneficiar do deságio de 30% comprando esses títulos diretamente dos Estados e municípios emitentes, sem precisar recorrer ao mercado secundário. Por isso, essas operações precisam ser esclarecidas, afirmou. Murta também terá que justificar as operações feitas com as debêntures da Banestado Leasing junto à Perfil, primeira corretora laranja desmantelada pela CPI.
O governo do Paraná não teve tempo de emitir títulos públicos para o pagamento dos precatórios. Quando o Estado pensava em fazer isso, o escândalo estourou. Mas o conglomerado Banestado deve explicações à CPI por ter operado com títulos irregulares, afirmou Requião.
Além do presidente do Banestado, a CPI vai convocar os representantes legais do Bradesco e Caixa Econômica Federal.
Em juízoO presidente do Banestado não comentou ontem sua convocação pela CPI dos Títulos Públicos. Através de sua assessoria, Murta adiantou que os questionamentos da CPI devem ser respondidos pelo presidente da Banestado Corretora, Carlos Valente, e não por ele. Valente não quis falar com a imprensa sobre o assunto, reservando-se ao direito de prestar esclarecimentos somente perante os membros da CPI.
A assessoria de Comunicação Social do Banestado limitou-se a informar que todas as operações feitas pela Banestado Corretora foram regulares e que a carteira de renda fixa da empresa foi a mais rentável no ano passado, segundo a revista Exame e o jornal Gazeta Mercantil.


