CPI convoca Perillo e Agnelo, mas poupa Sérgio Cabral
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quarta-feira, 30 de maio de 2012
Ricardo Brito <br> Agência Estado 
Brasília - Após dois adiamentos, o que levantou suspeitas de acórdão entre PSDB, PT e PMDB, a CPI do Cachoeira decidiu na tarde de ontem aprovar a convocação dos governadores de Goiás, o tucano Marconi Perillo, e do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz. Os integrantes da comissão, contudo, rejeitaram pedido para trazer o governador do Rio de Janeiro, o peemedebista Sérgio Cabral.
Interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal indicam uma possível ligação de Perillo com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro por explorar jogos ilegais. Ainda não há data marcada para o depoimento. No caso de Agnelo, as investigações da PF apontam a relação de funcionários do governo do DF com o grupo de Cachoeira.
A convocação de Perillo foi aprovada por unanimidade, com o apoio em peso da oposição, um dia depois de o governador ter feito uma visita de surpresa à CPI colocando-se à disposição para depor. Já o pedido para a vinda de Agnelo, que teve que demitir seu ex-chefe de gabinete Cláudio Monteiro por suspeita de envolvimento com o esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira, recebeu 16 votos favoráveis e 12 contrários. Cabral, por sua vez, teve 17 votos contra sua chamada e 11 a favor.
Pouco antes, a comissão rejeitou, por 18 votos a nove, recurso da oposição para tentar votar em conjunto a convocação dos três governadores. O PSDB tentou, sem sucesso, fazer uma votação única com o argumento de que todos são chefes de Executivo estadual.
Perillo
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), disse que não se surpreendeu com a convocação feita pela CPI do Cachoeira para que ele deponha sobre o caso. ''Eu já tinha me colocado ontem à disposição'', afirmou minutos depois de receber a informação de que fora chamado a depor.
Segundo Perillo, a visita à CPI será importante para explicar suas ligações com o empresário de jogos Carlinhos Cachoeira, preso pela Operação Monte Carlo no dia 29 de fevereiro. ''Será uma boa oportunidade para expor a verdade dos fatos'', afirmou.
Ele disse que vai repetir a versão sobre a venda da casa de R$ 1,4 milhão em julho de 2011, onde Cachoeira foi preso. De acordo com o governador, a casa foi vendida ao empresário Walter Paulo sob intermediação do ex-vereador Wladimir Garcez, também preso na Monte Carlo.
Na semana passada, Garcez afirmou à CPI que comprou a casa do governador, mas que, como não conseguiu pagá-la, revendeu o imóvel para Walter Paulo, dirigente da Faculdade Padrão. Integrantes do governo de Perillo aparecem nas gravações da Operação Monte Carlo, entre eles sua chefe de gabinete, Eliane Pinheiro, exonerada do cargo após a divulgação do caso.
O governador nega relações com Cachoeira. Ele aparece em uma conversa telefônica com o empresário de jogos, quando o parabenizou por seu aniversário. (com Folhapress)


