CPI convoca diretores de bancos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de março de 1997
Agência Folha 
BRASÍLIA - A CPI dos Precatórios pretende começar a ouvir os dirigentes dos grandes bancos que atuaram como tomadores finais de títulos estaduais e municipais na quinta-feira, quando deve acontecer o depoimento do presidente do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão.
No mesmo dia, devem ser ouvidos executivos dos bancos Multiplic e Banestado, mas os nomes ainda não estão definidos. Uma pauta preparada ontem pela CPI também previa a convocação, na sexta-feira, da diretora financeira da CEF (Caixa Econômica Federal), Sandra Beatriz Tavares, e de dirigentes de fundos de pensão. A pauta de depoimentos na quinta e sexta-feira está pronta desde ontem, mas só será oficialmente votada na quarta.
Como a aprovação é dada como certa, desde ontem os assessores da CPI preparavam os comunicados que enviariam aos dirigentes dos bancos e fundos de pensão como Petros (da Petrobrás), Funcef (Caixa Econômica Federal), Telos (Telebrás) e Serpros (Serpro).
Os preços pagos pelos bancos e fundos de pensão foram muito superiores ao pago por corretoras que atuaram como intermediárias na negociação. Em apenas uma operação que envolveu títulos de Pernambuco, por exemplo, uma cadeia de corretoras teve, num único dia, um lucro de quase R$ 50 milhões - diferença entre o preço pago ao Estado pelos títulos e o preço pago pelo Bradesco à última intermediária.
O relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR), considera os grandes bancos os principais responsáveis pelo que chama de cadeia da felicidade, formada por corretoras que lucraram milhões nas operações com os títulos. Sem os compradores finais, a maracutaia não teria acontecido. As corretoras não tinham dinheiro para comprar esses títulos, e só o fizeram porque tinham a certeza de que um grande banco ou fundo de pensão recompraria os papéis, garantindo a operação, afirmou.
A convicção do relator de que os tomadores finais foram cúmplices nas irregularidades foi reforçada pelo depoimento de Ronaldo Ganon, um dos sócios do Banco Vetor. Ganon disse à CPI que as vendas dos títulos seriam anuladas se, ao final do dia, as corretoras não pagassem pelos papéis. Se um grande banco não comprasse os títulos de uma corretora, a cadeia da felicidade cairia por terra. No dia seguinte, esse mesmo banco poderia ter comprado os papéis por um preço menor, sem intermediários, afirmou Requião.
Segundo o senador, o prejuízo com a operação não foi dos bancos, mas dos investidores em fundos de renda fixa e contribuintes de fundos de pensão.


