CPI começa fechar cerco sobre remessa ilegal de dólares
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quinta-feira, 05 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
Depois da entrega do relatório parcial sobre os governadores e prefeitos, a CPI dos Títulos Públicos começa a fechar o cerco em torno da remessa ilegal de dólares para o Exterior. A pedido da CPI, a Polícia Federal ouvirá nos próximos dias os depoimentos de Richard Andrew de Mol Oterloo, Raul Henrique Srom e Olga Pagura, identificados como doleiros do esquema dos precatórios. Os indícios que nós temos são de que essas três pessoas lavaram dinheiro do esquema dos títulos públicos, disse ontem o senador Romeu Tuma (PFL-SP), responsável pelas ações de rastreamento do dinheiro que sumiu.
Tuma teve um encontro, anteontem à noite, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem pediu ajuda do Banco Central para realizar o rastreamento do dinheiro no Exterior. De acordo com o senador, Fernando Henrique disse que vai pedir que o BC ajude a CPI no que for preciso. O presidente tomou essa decisão política, disse.
Ao presidente da República, o senador Romeu Tuma fez um relato de sua viagem aos Estados Unidos, onde manteve contato com o escritório de advocacia contratado pelo governo brasileiro para reaver, na Justiça norte-americana, o dinheiro roubado do INSS. Como a CPI vai continuar os seus trabalhos por mais um mês, precisamos aproveitar essa oportunidade e abrir os sigilos bancário, telefônico e fiscal dos suspeitos e repassar essas informações ao Banco Central e à Receita Federal, argumentou Tuma. Assim, poderemos formar rapidamente uma ação na Justiça e, com base nela, conseguir o bloqueio dos recursos no Exterior.
Romeu Tuma informou também que conversou com o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Paulo Tarso Flecha de Lima, sobre a possibilidade de um acordo com o governo norte-americano que facilite o combate aos esquemas de lavagem de dinheiro. A CPI descobriu que a lavagem do dinheiro desviado do mercado de títulos públicos foi feita por um esquema que já existia anteriormente e que é utilizado por todos aqueles que estão envolvidos em operações ilegais, como o narcotráfico e o jogo do bicho, explicou. De acordo com o senador, o embaixador Paulo de Tarso manifestou interesse por essa idéia.


