Arquivo FolhaTratorRequião: convocação do presidente do Bradesco contra a vontade do presidente da CPI, Bernardo CabralA Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos ouve, nesta segunda-feira, os presidentes de quatro grandes bancos, além de seus diretores financeiros. Os representantes das instituições chamadas pela CPI deverão explicar as razões que levaram seus bancos a serem os tomadores finais dos papéis vendidos por Estados e municípios, para o pagamento de dívidas cobradas na Justiça - os precatórios.
O que levou a CPI a convocar os dirigentes do Bradesco, do Banestado e do Banco Multiplic foi o fato de nenhum deles ter comprado os títulos no leilão público. Os papéis chegaram aos grandes bancos por intermédio de corretoras que atuaram na intermediação das operações. A CPI suspeita de que houve um esquema entre os bancos e as corretoras, para a obtenção de grandes lucros no mercado secundário aos implicados nas irregularidades. A Caixa Econômica Federal, também convocada, terá de explicar o que a levou a comprar um quarto dos R$ 480 milhões de títulos emitidos pelo Estado de Pernambuco. O depoimento dos banqueiros terá início às 10 da manhã.
Do Bradesco vão comparecer o presidente Lázaro Brandão e o vice-presidente executivo, Ageo Silva. A convocação de Lázaro Brandão ocorre por insistência do do relator da CPI, Roberto Requião (PMDB-SP). O relator não gosta do presidente do Bradesco. Primeiro, Requião divulgou a notícia de que um cheque de R$ 9,76 milhões da IBF Factoring para o empresário Fausto Solano Pereira tinha sido descontado na boca do caixa do Bradesco. Brandão ligou para o relator e mostrou que o cheque tinha sido compensado. Requião foi obrigado a fazer um pedido público de desculpas.
Depois, Requião atacou o presidente do Bradesco, sob a alegação de que os títulos de Permanbuco comprados pelo banco estavam irregulares. Brandão respondeu imediatamente. Desta vez, Requião não teve de fazer nenhum desmentido. Segundo ele, títulos comprados ainda sem a chancela da Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos (Cetip) não poderiam ser considerados legais. A disputa entre os dois foi além. Requião acabou conseguindo a convocação de Lázaro Brandão, mesmo com a resistência do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e do presidente da CPI, Bernardo Cabral (PFL-AM).
Além de Brandão e Ageo Silva, serão ouvidos ainda na segunda-feira outros dirigentes de bancos. São eles: o presidente da Caixa Econômica Federal, Sérgio Cutolo; a diretora financeira da Caixa, Sandra Beatriz Tavares; o presidente do Banestado e da Banestado Leasing, Domingos Murta Ramalho; o diretor de operações da Banestado Corretora, Paulo Roberto Gonçalves da Silva; o presidente da Banestado Corretora, Carlos Antônio Valente; o ex-presidente da Banestado Corretora Wilson Mugnaine; o ex-presidente da Banestado Leasing Oswaldo Santos Magalhães; o presidente do Banco Multiplic, Manoel Félix Cintra Neto e o ex-presidente do Multiplic Antônio José de Almeida Carneiro.
Na terça-feira serão ouvidos Nivaldo Furtado de Almeida e Maria Helena Cella. Nivaldo era o chefe do departamento de informática da Secretaria de Finanças da Prefeitura de São Paulo durante a gestão de Celso Pitta. Foi Nivaldo quem sistematizou a correção das dívidas cobradas na Justiça, que permitiram a emissão dos papéis. Maria Helena era a chefe da contabilidade da Secretaria de Finanças. Os dois viajaram aos Estados e municípios que emitiram os precatórios, com passagens compradas pelo Banco Vetor. Deverão ser enquadrados pelo relator da CPI em crime de corrupção passiva.
Ainda na terça-feira haverá acareação entre o diretor da Dívida Pública do Banco Central, Jairo da Cruz Ferreira, e o ex-assessor da Coordenadoria da Dívida Pública do município de São Paulo Pedro Neiva Filho. Pedro Neiva já foi ouvido pela CPI. Ele era o principal colaborador de Wagner Baptista Ramos, o ex-coordenador da Dívida Pública de São Paulo que inventou a fórmula de se fazer a correção monetária das dívidas. A fórmula era aplicada no programa Excel, da Microsoft. Ramos confessou, na CPI, que recebeu do Banco Vetor R$ 1,396 milhão, em depósito no exterior, e R$ 150 mil, em depósito aqui mesmo.
Na quarta-feira serão ouvidos o diretor financeiro do fundo de pensão da Caixa Econômica Federal (Funcef), Jorge Lúcio de Castro, a gerente de investimentos, Mirna Loy Oliveira Lima e o analista Francisco Mendes de Oliveira Filho.

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