CPI cita 828 no País e 104 no Paraná
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quarta-feira, 06 de dezembro de 2000
Chico Araújo e Nelson Breve Agência Estado De Brasília 
Chico Araújo
e Nelson Breve
Agência Estado
De Brasília
A CPI do Narcotráfico da Câmara recomendou ontem, no relatório final, que 828 pessoas e empresas de 17 Estados sejam processadas por diversos crimes, como envolvimento com o narcotráfico, organizado, roubo de cargas, lavagem de dinheiro, corrupção, sonegação fiscal, enriquecimento ilícito, falso testemunho, prevaricação e desobediência. Do total de citados, 97 pessoas e sete empresas são do Paraná.
Entre os indiciados, estão dois deputados federais, 15 estaduais, 6 desembargadores, 2 ex-governadores, ex-deputados, prefeitos e vereadores, juízes, policiais civis e militares, empresários e traficantes. A CPI indiciou também, por crime de desobediência, diretores de seis instituições financeiras e mais de 70 empresas de telefonia.
A lista dos indiciados inclui os deputados deputados José Aleksandro da Silva (PSL-AC ) e Augusto Farias (PPB-AL), os ex-governadores do Acre Orleir Cameli (sem partido), e de Alagoas Manoel Gomes de Barros (indiciado apenas por prevaricação), o ex-ditador do Surimane, Desi Bouterse, e o filho dele Dino Bouterse (secretário da Emabaixada do Suriname no Brasil), e o general golpista do Paraguai, Lino César Oviedo, que está preso em Brasília aguardando extradição.
Entre os deputados estaduais, foram indiciados os presidentes das Assembléias Legislativas Amapá, Fran Soares Júnior, do Espírito Santo, José Carlos Gratz, e de Alagoas, Antônio Ribeiro de Albuquerque. O médico legista Fortunato Badan Palhares, que autou no caso do empresário Paulo César Farias, o PC, também teve o indiciamento pedido pela CPI. A comissão indiciou ainda o coronel boliviano Raul Mendes, acusado de ser o braço armado da quadrilha liderada pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal (AC), também iniciado pela CPI.
Os presidentes de seis instituições financeiras foram indiciados por não terem colaborado com as investigações, dificultando a quebra do sigilo bancário. São eles: o presidente do HSBC Bank Brasil, Michael Georghehan, do Banco da Amazônia (Basa), Flora Valladares Coelho, do Banco do Estado de Goiás, Valdin Rosa de Lima, do Banco Rural, Sabino Correia Rabello, do Banco Mercantil Finasa, Gastão Augusto de Bueno Vidigal, e o interventor do Banco do Estado do Amapá, cujo nome não consta do relatório. A CPI também indiciou por sonegação de informações os responsáveis legais de mais de 70 empresas de telefonia, entre eles, os presidentes da Embratel, Jorge Luiz Rodrigues, da Telesp, Fernando Xavier Ferreira, e da BCP, Roberto Peon Castellanos.
O trabalho da CPI é a garantia de que o crime organizado começa a ser desarticulado no País, afirmou o relator da CPI, Moroni Torgan (PFL-CE), que propões no relatório final a criação de uma comissão especial processante para investigar e julgar as ações do crime organizado nos moldes da Operação Mãos Limpas, que combateu a máfia italiana na década de 80. Ele também propõe no relatório a criação de uma comissão permanente da Câmara para acompanhar o combate ao crime organizado.
O indiciamento de Oviedo poderá facilitar o processo de extradição para o Paraguai que está sendo analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é citado como envolvido com o tráfico internacional de drogas, contrabando de armas, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A CPI também investigou um possível envolvimento de Oviedo com o traficante Luiz Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar (também indiciado no relatório), que está foragido e sendo procurado pela Polícia do Rio. O relatório recomenda ainda o indiciamento de nove pessoas envolvidas no caso do tráfico de drogas usando aviões da FAB. (Colaborou Redação)


