CPI avalia gastos de R$ 750 mil em farmácias
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domingo, 13 de abril de 2008
Felipe Recondo, Eugênia Lopes e Marcelo de Moraes<br>Agência Estado 
Brasília - Levantamento preliminar feito por integrantes da CPI dos Cartões mista mostra uma série de despesas feitas com os cartões corporativos do governo federal, desde o final de 2002 até 2007, consideradas estranhas por parlamentares oposicionistas da comissão. De acordo com o documento, há gastos de servidores públicos de cerca de R$ 750 mil em farmácias, R$ 43,3 mil em padarias, R$ 14,9 mil em sapatarias, R$ 4,9 mil em bares, R$ 40,5 mil com assinatura de TV a cabo, R$ 4,6 mil em lojas de roupas de criança e R$ 33 mil em floristas.
Em supermercados, as despesas ocupam 276 páginas do documento e os valores chegam a R$ 991,6 mil. Na compra de doces e chocolates, como os da loja Kopenhagen, os gastos somaram mais de R$ 8 mil.
Em lojas de instrumentos musicais, os servidores gastaram R$ 24,4 mil; em comércios de jogos e brinquedos, os gastos totalizam R$ 22,2 mil; em lojas de departamento de roupas femininas, como as Lojas Marisa, os cartões foram usados para compras de R$ 7,3 mil somente nos últimos dois anos. Em lava-jatos foram gastos quase R$ 14 mil.
O documento tem 6.310 páginas, inclui todos os gastos com cartões corporativos desde novembro de 2002 em faturas, excluídos, portanto, os saques em espécie na boca do caixa e os gastos sigilosos, como as despesas da Presidência da República, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Polícia Federal.
Para a CGU, mesmo gastos que aparentemente são considerados inusitados podem ter uma justificativa lógica, devido à natureza do trabalho que um órgão ou um servidor precisa executar. Mas a CGU já reconheceu que houve casos de uso inadequado do cartão, como ocorreu com a ex-ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro. Ela acabou pedindo demissão do cargo depois que o jornal O Estado de S.Paulo revelou o mau uso dos cartões corporativos em janeiro, onde Matilde aparecia como campeã nesse tipo de despesa entre os ministros, incluindo pagamentos considerados inadequados com aluguel de carros e free shop.


