CPI aprova quebra de sigilos de Jefferson
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quinta-feira, 07 de julho de 2005
Cláudia Trevisan e<br>Leila Suwwan<br>Folhapress 
Brasília - Na mais tensa, confusa e barulhenta sessão desde que foi instalada, a CPI dos Correios aprovou ontem a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Em seguida, manobra da bancada governista evitou que fosse votada a quebra dos sigilos dos petistas José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e Silvio Pereira. O argumento apresentado pelos petistas é que não seria necessário votar a quebra dos sigilos dos colegas de partido, já que eles encaminharam à CPI fax liberando acesso a seus dados. Ou seja, na prática a comissão vai poder averiguar dados bancários, telefônicos e fiscais de Dirceu, Genoino, Delúbio e Silvio Pereira.
Pela manhã, a CPI havia aprovado, sumariamente, com acordo e por unanimidade, 41 requerimentos, incluindo a convocação de Delúbio (em data a ser marcada), ex-tesoureiro do PT, e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de dez empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes. A discussão sobre a quebra dos sigilos durou três horas, marcadas por gritos, ofensas e acusações. A sessão foi suspensa, reuniões paralelas foram realizadas e a campainha de silêncio não parava de soar. O acesso aos dados de Jefferson acabou aprovado por 18 dos 32 membros da CPI.
A votação desse requerimento tinha ficado para a próxima semana, mas foi solicitada pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC) antes do depoimento de Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária do publicitário Marcos Valério. Ela se disse indignada pela interpretação da imprensa de que a CPI estava acuada pela entrevista de Jefferson a Jô Soares na qual ele disse que integrantes da comissão recebiam o ''mensalão''. ''Não podemos aparecer na imprensa como acovardados pelas acusações'', disse Ideli.
A oposição concordou com a votação, desde que fossem analisados também os pedidos relativos a Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, Genoino, presidente do PT, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido e Silvio Pereira, ex-secretário-geral da legenda. O requerimento de quebra de sigilo de Jefferson foi aprovado às 14h10. Em seguida, a oposição pediu que fossem votados os pedidos que atingiam os dirigentes petistas. Enquanto seus colegas se consumiam em debate no qual chegou a ser defendida a quebra de sigilo dos 594 integrantes do Congresso, o senador Sibá Machado (PT-AC) usava o celular para localizar os quatro petistas acusados por Jefferson de envolvimento com o ''mensalão''.
Às 15h, aos gritos roucos, Sibá anunciou que havia falado com Genoino, Delúbio e Pereira e os três já haviam enviado faxes colocando seus sigilos fiscal, telefônico e bancário à disposição da CPI. Faltava apenas Dirceu. A resposta de Dirceu veio 15 minutos antes das 16h, quando Sibá Machado entregou o fax com o compromisso do ex-ministro de abertura de seus sigilos ao presidente da CPI, Delcídio Amaral (PT-MS).
Depois de pedidos de desculpas à ''sociedade brasileira'' por vários parlamentares, Delcídio fez um discurso que se pretendia ''pacificador'', mas que acabou reacendendo o debate pela leitura de uma nota enviada à CPI por Jefferson. Nela, o petebista diz que não se referia a integrantes da CPI dos Correios em sua entrevista a Jô Soares. Ao mesmo tempo, questiona a ''autoridade'' para julgá-lo de integrantes do PP, PL e PT e a isenção de Ideli Salvatti.


