CPI aprova pedido de prisão preventiva de Valério
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quarta-feira, 27 de julho de 2005
Fernanda Krakovics e Leila Suwwan<br>Folhapress 
São Paulo - Quase duas semanas após a apresentação da proposta, a CPI dos Correios aprovou ontem o encaminhamento à Procuradoria Geral da República de pedido de prisão preventiva do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, além da indisponibilidade de seus bens. O pedido deve ser encaminhado hoje à procuradoria. Segundo o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, vai analisar o pedido e, se considerar procedente, encaminhará ao Judiciário no prazo de 15 a 20 dias.
A justificativa da CPI ao aprovar o requerimento é impedir que Marcos Valério destrua provas e articule sua defesa com outros investigados do suposto esquema de corrupção existente no governo. O publicitário também é acusado de lavar dinheiro através de suas agências para um caixa dois do PT.
Operação da Polícia Civil e do Ministério Público de Minas Gerais, há cerca de duas semanas, apreendeu mais de 2.000 notas fiscais da DNA, uma das agências de Valério. Elas estavam sendo queimadas na casa do irmão do contador do publicitário, Marco Túlio Prata.
Depois disso, Valério e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares prestaram depoimento espontaneamente à Procuradoria Geral da República apresentando a mesma versão para a elevada movimentação financeira nas contas do publicitário. O dinheiro seria fruto de empréstimos bancários tomados pelas empresas de Valério e repassados ao PT para pagar dívidas de campanha. Eles, o secretário-geral do partido Silvio Pereira e a mulher do publicitário, Renilda Santiago, sustentaram a mesma explicação na CPI.
''Requeiro que essa CPI peça ao Ministério Público Federal que analise a prisão preventiva e a indisponibilidade dos bens de Marcos Valério Fernandes de Souza'', diz o documento aprovado.
O próprio autor do requerimento solicitando a prisão, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), que é sub-relator da comissão, reconheceu que a medida vem tarde. ''O requerimento perde força nesse momento porque era para evitar a destruição de provas e a articulação da defesa. Estamos vendo uma sucessão de depoimentos repetitivos, mas o pedido serve para mostrar o poder de coerção da CPI'', disse ele.
O requerimento foi aprovado por 19 a 1. O único a votar contra foi o deputado Nelson Meurer (PP-PR). ''O Marcos Valério já deu seu depoimento à CPI, à Polícia Federal e à Procuradoria Geral da República. Ele não está se recusando a dar esclarecimentos. Se está falando a verdade ou não é problema dele, que é réu. Ele tem residência fixa e não tem risco dele sair do país'', afirmou o deputado.
Segundo o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), a CPI demorou a votar essa questão porque não havia acordo em torno dos termos do ofício. ''Agora o requerimento solicita ao Ministério Público a apreciação do pedido. Nós não temos competência para decretar a prisão preventiva. Antes dava a impressão que queríamos impor ao Ministério Público essa decisão'', afirmou ele.
O requerimento original pedia a prisão preventiva também ao Ministério Público de Minas Gerais. Outra modificação foi amenizar o texto, solicitando que a instituição analise o pedido da CPI, sem requerer diretamente a prisão preventiva.


