Agência Estado
De Campinas
O advogado Arthur Eugênio Mathias, apontado como o ‘‘braço jurídico’’ de uma poderosa organização de comerciantes de drogas, ladrões de carretas e policiais corruptos, foi preso por determinação judicial na madrugada de ontem em Campinas, após depor na CPI do Narcotráfico. Mathias é acusado formalmente de formação de quadrilha, receptação de mercadorias roubadas, associação para tráfico internacional de cocaína e corrupção. A CPI sustenta que o advogado é um dos principais articuladores do grupo comandado pelo empresário Willian Sozza, tido como o elo financeiro e logístico do esquema montado em Campinas, com ramificações em 14 Estados.
O deputado-relator Moroni Torgan (PFL-CE) disse que a prisão de Mathias ‘‘vai abalar o alicerce do crime.’’ A ordem de prisão temporária contra o advogado – pelo prazo de 30 dias – foi expedida pelo juiz-corregedor Paulo Eduardo de Almeida Sorci às 2h50, enquanto Mathias era interrogado e acareado com dois assaltantes no plenário do salão do júri do Fórum Criminal. Às 2h05,os deputados Pompeo de Mattos (PDT-RS) e Robson Tuma (PFL-SP) deixaram o Palácio da Justiça com o texto do mandado de prisão nas mãos e seguiram até a casa do magistrado em uma perua Van da Polícia Federal.
Sorci já aguardava os parlamentares e apenas assinou o decreto, amparado em parecer assinado por seis promotores de Justiça. A decisão foi lida pelo presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES). Segundo o juiz, há ‘‘indícios de autoria e materialidade envolvendo o representado como participante dos crimes apurados’’.
Sorci ressaltou que nos autos há depoimentos que ‘‘especificam a ação da quadrilha engendrada para a prática de diversos delitos, dentre eles o tráfico ilícito de entorpecentes’’. Para o Ministério Público Estadual, que está dando suporte à devassa da CPI, ‘‘é inequívoca a necessidade de adoção de medida excepcional como forma de assegurar apuração de gravíssimos delitos e viabilizar o escorreito prosseguimento das investigações, notadamente para se permitir o reconhecimento por vítimas e testemunhas.’’
Abatido, Mathias ouviu em silêncio o anúncio de sua prisão. O presidente da CPI solicitou ao acusado que ficasse de pé para declarar: ‘‘O senhor está preso.’’ O advogado foi levado, algemado, no camburão da PF para o quartel do 8º Batalhão da Polícia Militar, em Vila Industrial. ‘‘É uma lição para quem mente perante a CPI e também um aviso: aqueles que não querem colaborar vão ficar atrás das grades’’, disse Robson Tuma.
Segundo Tuma, o advogado atuava como o ‘‘elo de proteção às quadrilhas.’’ Para ele, a corrupção policial em Campinas ‘‘é impressionante’’. Ele garantiu que os ‘‘acertos’’ – atos de extorsão praticados por policiais para libertar ladrões, traficantes e homicidas – serão apurados ‘‘e os responsáveis serão expulsos da instituição’’.
A prisão do advogado estava decidida desde o final da tarde da terça-feira mas a comissão adiou seu anúncio porque trabalhava com a hipótese de que Mathias se dispusesse a delatar todo o esquema – apontando grandes empresários e policiais – em troca da liberdade.Suspeito de ser braço jurídico do crime organizado em 14 Estados saiu algemado após prestar depoimento em Campinas
Epitácio Pessoa/Agência EstadoAPANHADOMathias, em depoimento de onze horas à CPI, quando teve prisão provisória decretada pela Justiça e acabou algemado

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