Curitiba - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a implantação do pedágio nas rodovias paranaenses encerra a fase de tomada de depoimentos esta semana. As duas partes que protagonizam uma queda-de-braço a respeito do preço da tarifa do pedágio irão falar aos deputados estaduais que compõem a CPI. Enquanto o representante do atual governo e diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Rogério Tizzot, comparece hoje à Assembléia Legislativa, o diretor-regional da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, João Chiminazzo Neto, tem seu depoimento previsto para a amanhã.
Segundo o presidente da CPI, André Vargas (PT), os deputados pretendem esclarecer como vem sendo feita a negociação entre governo e concessionárias para a redução do preço das tarifas. ''Queremos saber se a redução implicará no cancelamento de obras previstas nos contratos com as concessionárias. Na alteração do contrato em 2000, quando o governador Jaime Lerner (PFL) abaixou a tarifa, Londrina perdeu a construção do Contorno Norte em seu anel viário. Talvez, essa não seja uma boa alternativa'', comentou Bargas.
De acordo com Tizzot, que vem participando das negociações com as concessionárias, a possibilidade de cancelamento de algumas obras previstas ainda está sendo analisada. ''Pelo levantamento que fizemos, percebemos que a opção do contrato firmado em 1997 foi pela realização de obras em dois momentos: um no início da concessão e outro mais perto do final do contrato, que termina em 2017. Alterações nesse cronograma podem fazer parte das negociações com as concessionárias'', comentou o diretor do DER.
O chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, acenou ontem com a possibilidade do Estado abrir mão de algumas obras previstas para facilitar a negociação em torno da redução. ''Isso é possível caso o usuário seja beneficiado. Estamos conversando individualmente com cada concessionária, para estipularmos uma redução de no mínimo 30% no preço da tarifa. Mas queremos negociar para obter uma redução ainda maior'', comentou Quintana.
Segundo o diretor-geral da ABCR, esse cancelamento de serviços deve ser feito com cuidado. ''Não tenho participado das reuniões entre o governo e cada concessionária, mas a ABCR está alertando para o fato de que associações de peso, como a de transportadoras, são contra o cancelamento de serviços como o de manutenção das rodovias e de prestação de serviços. Depois que o usuário se acostuma a ter rodovias de qualidade, dificilmente ele aceitará uma redução no nível de conservação das estradas'', salientou Chiminazzo.
De acordo com André Vargas, os depoimentos de Chiminazzo e Tizzot encerram a fase de tomada de depoimentos na CPI. ''Agora vamos juntar todos os dados coletados sobre a fórmula de elaboração da planilha de custo e as reivindicações dos usuários para elaborar o relatório final. Queremos montar um documento que de fato contribua com a discussão, e apresente sugestões de como o sistema deve ser gerido'', comentou Vargas. Até hoje, a CPI já realizou oito sessões públicas, nas quais foram ouvidos 15 depoentes.

mockup