Brasília - As revelações sobre as movimentações do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza no Banco de Brasília (BRB) levaram os técnicos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios a ampliar o foco das investigações financeiras do esquema do ''mensalão''. Até agora, as atenções estavam voltadas apenas para as operações nos Bancos Rural e do Brasil (BB). Valério é acusado de ser o principal operador da mesada. Anteontem, chegaram à CPI os extratos bancários da conta da agência de publicidade SMP&B, empresa de Valério, no BRB.
A questão é que a instituição financeira não enviou os cheques da conta, o que impede a análise de quem recebeu o dinheiro movimentado pelo empresário. A comissão reforçará ao Banco Central (BC) a necessidade de receber toda a documentação possível sobre a conta na instituição. Valério movimentou cerca de R$ 100 milhões na conta da SMP&B no BRB, nos últimos dois anos. Técnicos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e do BC estranharam as operações da conta, que seriam ''atípicas''.
Os técnicos do Coaf descobriram que a movimentação da conta apresenta indícios de uma operação de lavagem de dinheiro. Os recursos entram e saem do banco em ritmo intenso. Além disso, a quantia não é aplicada, como é a rotina com empresas que detêm investimentos dessa ordem. Somente nos últimos três meses, passaram R$ 38 milhões pela conta, que é a campeã de movimentações na agência do Setor de Rádio e TV Sul, em Brasília. A agência fica a apenas dois quilômetros da Esplanada dos Ministérios.
Em vez de o dinheiro ser sacado na boca do caixa, como no caso do Rural, Valério distribuía os recursos via Transferência Eletrônica Direta (TED). Na semana passada, por exemplo, foram feitas oito operações desse tipo apenas numa manhã. Ontem, o BRB soltou uma nota na qual confirma que a movimentação da conta se dá, sobretudo, por transferências eletrônicas. Também informa que os recursos creditados na conta da SMP&B são provenientes de contratos com órgãos públicos ou TEDs de outros bancos. O BRB confirma ainda que os saques em espécie na conta sempre foram inferiores a R$ 5 mil.
O banco também assegura, através de nota, que entregou todos dos documentos requisitados pela CPI e pelo BC.
Rejeitando acordo proposto por Marcos Valério, a CPI dos Correios marcou para a próxima terça-feira o depoimento de sua mulher, Renilda Santiago, e para a semana seguinte o de Simone Vasconcelos, diretora financeira de uma de suas empresas. A preocupação do publicitário é que as duas mulheres não aguentem a pressão dos parlamentares e revelem detalhes do esquema. De acordo com integrantes da CPI, o estado emocional das duas não é bom desde que o envolvimento de Valério surgiu.
As duas principais agências de publicidade de Valério - a SMPB e a DNA - estão no nome de Renilda. Já Simone é a responsável pelo maior volume de saques, cerca de R$ 6 milhões, das contas de Valério. Caberia a ela a distribuição de dinheiro a parlamentares e a pessoas indicadas pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. (Com Folhapress)

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