Terá início nesta semana a CPI da Assembléia Legislativa de Goiás que vai investigar o suposto rombo de R$ 460 milhões no BEG (Banco do Estado de Goiás), que teria surgido nos dois últimos governos do PMDB. A CPI vai investigar o empréstimo de R$ 3,6 milhões concedido à empresa Astrográfica em 1994. Uma ex-secretária do comitê de campanha do PMDB afirma que o dinheiro foi usado para pagar os fornecedores do partido. O autor do pedido de CPI, deputado estadual Carlos Alberto Silva (PSDB), afirma que parte do rombo foi gerado por empréstimos sem garantia liberados para correligionários do PMDB.
A CPI também vai investigar compras sem licitação, aquisições e contratações de serviços desnecessários. O período de funcionamento será de 90 dias. Silva diz que, em 1994, o banco liberou empréstimos de R$ 800 mil e R$ 1 milhão para pessoas que não ofereciam garantias de pagamento, como capatazes de fazendas e empregadas domésticas.
‘‘Três testemunhas que prestariam depoimento em Rio Verde (GO) foram assassinadas pouco antes de depor’’, afirma o deputado. Ele diz que esses empréstimos teriam ocorrido em todo o Estado. ‘‘Centenas de pessoas devem ao BEG. Algumas conseguiram empréstimo sem garantia por interferência do PMDB. Há pessoas que devem R$ 5 milhões e R$ 9 milhões.’’ Silva afirma que já dispõe de documentos que comprovam que o BEG pagou diferenças salariais de aproximadamente R$ 100 mil a cada um dos seus dirigentes no final do ano passado, pouco antes de o PMDB deixar o governo.
A CPI vai investigar a compra de R$ 8,4 milhões em tíquetes-alimentação, sem licitação, em um único mês de 1997. A compra de R$ 10 milhões em produtos de informática após a aprovação da federalização do banco pela Assembléia também será apurada.
A oposição ao PMDB tentou aprovar a CPI em 96 e 98. Hoje, o governo Marconi Perilo (PSDB) conta com 25 dos 41 votos da Assembléia. A CPI foi aprovada por 34 deputados.

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