A Câmara de Vereadores de Sapopema (132 km ao sul de Cornélio Procópio) iniciou ontem os trabalhos da Comissão Processante (CP) aberta sobre a denúncia que pede a cassação do prefeito Roberto Jorge Abrão (PSL). A aprovação da CP aconteceu na sessão de anteontem à noite, por unanimidade - nove votos a zero -, com base na denúncia de suposta apropriação indébita protocolada por um servidor municipal. No documento datado de 29 de agosto passado, Paulo Cesar Pereira da Silva citou que o chefe do Executivo municipal teria deixado de repassar verba de quase R$ 400 mil devida ao fundo de previdência municipal, durante o atual mandato, ainda que o valor tenha sido retido do salário do funcionalismo.
Além dessa quantia, o Fundo de Previdência Municipal de Sapopema (Funprevs) acumula ainda pouco mais de R$ 1 milhão de dívida referente ao não-repasse da parte patronal, valor que tem R$ 429,8 mil parcelados.
De acordo com a procuradora jurídica da Câmara, Paula Duarte de Souza, a dívida total se arrasta desde 2005. Apesar da denúncia apresentada dia 29, a situação teria sido exposta à Câmara, afirmou a procuradora, pelo próprio presidente do Funprevs, Rubens Domingues de Paula, em sessão do último dia 25. A CP aberta tem por base o decreto federal 201/67.
Questionado sobre o motivo de a Câmara ter deixado para o período eleitoral esse tipo de medida, ainda que seja, por natureza, órgão de fiscalização do Executivo, o presidente do Legislativo, Benedito Pererira da Silva (PPS), resumiu: ''Esse tempo todo tentamos uma negociação, o prefeito sempre disse que pagaria, mas não pagou. Os funcionários ficaram desesperados, tanto que a convocação do presidente do Funprevs é resultado de pressão deles'', admitiu. O prefeito é candidato à reeleição.
A FOLHA tentou contato com Abrão, na Prefeitura, mas o chefe de gabinete Sebastião Carneiro Abreu informou que o prefeito estava em viagem a Curiúva. A reportagem pediu ainda um contato de advogado, mas o funcionário alegou desconhecimento. Abrão não retornou o pedido de entrevista.
A CP tem prazo de 90 dias para ser concluída. Ontem, a Procuradoria da Câmara expediria notificação para que Abrão apresente defesa em até 10 dias.

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