CP pretende citar Gianoto hoje
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de novembro de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
A Comissão Processante (CP) da Câmara de Maringá, que analisa denúncia do Ministério Público (MP) sobre o desvio de dinheiro da prefeitura, pretende citar ainda hoje o prefeito licenciado Jairo Gianoto (PSDB). Ele é acusado de ter se beneficiado de R$ 549 mil de um total de R$ 3,1 milhões desviados dos cofres do município.
O presidente da CP, vereador Aldi Cezar Mertz (PDT), adiantou à Folha que, apesar de a comissão ser instalada oficialmente hoje de manhã, a intenção é convocar o prefeito imediatamente. O prazo seria de cinco dias. Não vamos usar todos os prazos porque as provas levantadas pelo Ministério Público são evidentes, disse.
Mertz (foto) lembrou ainda que desde quinta-feira passada, quando a CP foi aprovada pela Câmara por 18 votos favoráveis e um contrário, o processo já está sendo analisado pelos três integrantes. Além dele a comissão tem Shinji Gohara (PSN) como relator e Chico Coutinho (PTB) como membro. Um dos advogados indicados pela OAB para prestar assessoria técnica à CP, Wilson Quinteiro, disse que pelo volume de documentos levantados pelo MP para denunciar o desvio de recursos públicos, o processo exige agora apenas a defesa do prefeito, que terá dez dias para apresentar sua versão.
Também hoje o juiz Mário Seto Takeguma, da 1ª Vara Cível de Maringá, deve decidir sobre o pedido de afastamento de Gianoto do cargo. O pedido foi feito no dia 25 de outubro pelo promotor José Aparecido da Cruz. O MP solicitou também a indisponibilidade dos bens do prefeito. Gianoto se antecipou à decisão do juiz e conseguiu aprovar licença na Câmara no dia 26. Takeguma já acatou a indisponibilidade dos bens do prefeito.
Gianoto teve o nome incluído em uma ação de improbidade administrativa que já citava o ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi e outros três servidores, pelo desvio de R$ 2,6 milhões. O MP encontrou nas contas do prefeito valores referentes a desvios de R$ 549 mil dos cofres do município. Paolicchi, que teve os bens indisponibilizados, responde ainda a ação criminal por peculato, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e formação de quadrilha, junto com os servidores Jorge Aparecido Sossai, Rosimeire Castelhano Barbosa e Waldemir Ronaldo Corrêa. Este último também era funcionário particular do ex-secretário.
No dia 17 de outubro, a Justiça Federal acatou o pedido de prisão preventiva de Paolicchi, que desde então está desaparecido. No dia 30 de outubro, os demais acusados prestaram depoimento, mas Paolicchi não se apresentou. Os advogados dele, Moisés Zanardi, de Maringá; e Wagner Brusculo Pacheco, de Umuarama; alegam que ele vai se apresentar nesta semana. Gianoto, que segundo assessores está em Maringá, também prepara a defesa das acusações.


