O prefeito Barbosa Neto (PDT), que estava ''sangrando politicamente'', chegou a um momento insustentável com a prisão do ex-secretário de Governo Marco Cito e percebeu que não teria sucesso na tentativa de evitar a abertura da Comissão Processante (CP) na Câmara de Londrina. Esse teria sido o motivo para liberar a base de apoio para a votação, colocando-se diante dos parlamentares como favorável à investigação. A análise é do professor de Ética e Filosofia Política Elve Cenci. ''Foi uma estratégia para tentar inverter um pouco a situação e ele ganha 90 dias para tentar desconstruir os fatos.''
Na avaliação de Cenci, as supostas irregularidades investigadas, frequentemente, na administração municipal, e as ''versões fantasiosas'' do prefeito que sempre insistiu na tese do ''complô político'', causaram indignação na sociedade e forçaram ''uma espécie de mobilização espontânea da opinião pública''. Ele afirmou que a sociedade interferiu na decisão dos vereadores. ''Houve uma cobrança sobre os vereadores da base de apoio e isso fez com que tomassem uma posição distinta daquela que vinham demonstrando.''
Além do risco de perder o mandato, a abertura da CP em ano eleitoral pode comprometer eventuais pretensões políticas de Barbosa na disputa pela reeleição. Para o professor, ''causa um estrago imenso na campanha dele''. ''Hoje a situação é realmente delicada, mas o prefeito ainda está com a máquina na mão e pode fazer a diferença'', ressaltou Cenci.
Manifestantes no Gaeco
Depois de deixarem a Câmara, onde cobravam os vereadores para que votassem pela abertura da CP, cerca de 30 jovens foram até a sede do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) querendo falar com os promotores. O grupo pedia o afastamento imediato do prefeito Barbosa Neto. ''Para que ele não atrapalhe os trabalhos no Legislativo e não tente comprar vereadores'', disse Douglas Dobasseto, afirmando que pretendem organizar um protesto dentro de um mês.

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