CP na Câmara agenda depoimento de testemunha-chave da ZR3
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quarta-feira, 27 de junho de 2018
Guilherme Marconi<br>Reportagem Local 

Os trabalhos da CP (Comissão Processante) que investiga suposta quebra de decoro parlamentar na Câmara Municipal foram retomados nesta quarta-feira (27) após decisão favorável do TJ (Tribunal de Justiça). Os alvos da investigação são os vereadores afastados Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB), acusados pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) na chamada Operação ZR3, que denunciou ambos por liderar um esquema de corrupção no qual teriam exigido vantagens de empresários em troca de aprovação de projetos pontuais de mudança de zoneamento.
Os membros da CP agendaram para as 9 horas de sexta-feira (29) o depoimento do agricultor Junior Zampar, considerado pelo Gaeco testemunha-chave do suposto esquema. As conversas gravadas pelo agricultor embasaram a denúncia do Ministério Público. Ele chegou a registrar encontros com Rony Alves, um assessor parlamentar e membros do CMC (Conselho Municipal da Cidade), também réus na Justiça. Todos negam as acusações. Carlos Zampar, primo de Junior, será ouvido no mesmo dia como testemunha.
JUDICIALIZAÇÃO
A pedido da defesa de Takahashi, a CP havia sido interrompida no dia 25 de maio, quando completou um mês de trabalho, após decisão em primeira instância. No calendário oficial, a reunião desta quarta significou o início do 31º dia de trabalho. Ou seja, o relatório final que poderá pedir a cassação do mandato dos dois ex-presidente da Casa precisa ser entregue no prazo máximo de dois meses.
O advogado de Rony Alves, Maurício Carneiro, não participou da reunião de retomada dos trabalhos por conta de uma viagem a Brasília. "Hoje (quarta-feira) a reunião foi infrutífera porque serviria para ouvir os dois advogados", disse o presidente da CP, José Roque Neto (PR). O escritório que atua na defesa de Takahashi mandou um representante porque o advogado Anderson Mariano havia afirmado que também estaria em viagem.
À FOLHA, Mariano lembrou que está aos cuidados do juiz Emil Gonçalves, da 2ª Vara de Fazenda Pública de Londrina, mandado de segurança feito por Mário Takahashi que questiona o fato de testemunhas terem sido arroladas depois da apresentação da defesa prévia do vereador na Comissão Processante.
Já o vereador José Roque Neto disse acreditar que o prazo não será um problema. "Estamos realizando o trabalho para dar conta de fazer todas as oitivas a tempo", disse.
O procurador jurídico da Casa, Miguel Aranega Garcia, afirmou que a ausência de uma das defesas não interfere no cronograma que será revisto na sexta-feira. Questionado pela FOLHA sobre as manobras das defesas para contestar a CP, Aranega respondeu que encara com naturalidade. "É uma situação que pode ser levada ao Judiciário. Agora nos preocupa apenas a questão dos prazos porque temos que deixar um tempo para a conclusão do relator (vereador João Martins)".
SALÁRIOS
O juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Londrina, Marcos José Vieira, restabeleceu o pagamento do subsídio do vereador Rony Alves em liminar proferida no final de maio. O despacho atendeu a um pedido da defesa, que argumentou que a suspensão do pagamento dos salários não teria respaldo legal e que o parlamentar não tem recursos para subsistência. Os pagamentos, entretanto, não serão retroativos. Já os advogados de Takahashi tentam via administrativa que a mesma medida seja estendida ao ex-presidente da Câmara. "Esse fato ainda está sob análise da procuradoria jurídica da Casa", informou Aranega. (Colaborou Vitor Struck)


