CP já admite punição mais branda a Gouvêa
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sexta-feira, 19 de março de 2010
Janaina Garcia<bR> Reportagem Local 
Nem bem encerrou ainda a fase de tomada de depoimentos, e, ontem, a Comissão Processante (CP) que investiga o vereador Rodrigo Gouvêa (PRP) já admitiu que o grupo poderá optar por um relatório baseado no artigo 8º do Códido de Ética e Decoro Parlamentar, que prevê, em caso de punição, medidas mais brandas - tais como a suspensão de mandato. Até então, os trabalhos da CP vinham sendo balizados pelo artigo 9º do documento, que coloca aos membros da comissão a indicação de duas propostas ao plenário, na conclusão dos trabalhos: arquivamento da denúncia ou cassação.
A hipótese foi confirmada ontem pelo presidente da CP, vereador Amauri Cardoso (PSDB), após a tomada de depoimento de mais três testemunhas arroladas pela comissão, e outras duas, ouvidas à tarde, elencadas pelo advogado de Gouvêa, Guilherme Gonçalves. A defesa dispensou três testemunhas, entre as quais, a ex-assessora Maria Aparecida Vieira, a qual, segundo denúncia da Corregedoria do Legislativo, teria ganho dos cofres públicos, mas exercido funções de cabo eleitoral ao parlamentar, na Zona Sul da cidade.
O advogado do vereador insiste na tese de que a ex-assessora ''não era fantasma'', como trata denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP), e elenca cerca de 70 requerimentos que teriam sido fruto do trabalho ''comunitário'' da ex-assessora. Pela CP, foram ouvidos ontem de manhã um morador do Jardim Franciscato, base eleitoral de Gouvêa, e dois funcionários da Câmara. Pela defesa, foram ouvidos o chefe de gabinete do vereador preso Joel Garcia (PDT), Anílton Honorato, e a ex-funcionária terceirizada da Câmara, Benedita Ferreira.
De acordo com o presidente da CP, os depoimentos teriam confirmado que a ex-assessora prestou serviços na Câmara - em frequência ainda a ser apurada. Sobre o tipo de trabalho que ela teria desempenhado nas bases de Gouvêa, contudo, o tucano admitiu dificuldades nos trabalhos. ''Vamos agora fazer um cruzamento dos dados dos requerimentos que a defesa diz que são originários do trabalho da ex-assessora''.
A respeito de eventual abrandamento precoce na análise do caso, a partir do Código de Ética, Cardoso resumiu: ''Já há essa conversa (sobre o artigo 8º), é apenas uma hipótese; estou sendo transparente'', eximiu-se.
Os trabalhos sobre o relatório só começarão depois da resposta que a CP aguarda, até as 18 horas de segunda-feira, sobre a possibilidade de a defesa de Gouvêa apresentar ou não nova testemunha para depoimento, como está previsto no rito do Código de Ética.


