A Comissão Processante (CP) que investiga denúncia de quebra de decoro parlamentar do ex-vereador Orlando Bonilha (PR) definiu ontem pela manutenção dos trabalhos. Com isso, a renúncia ao mandato não livra Bonilha do risco de ter os direitos políticos suspensos por até oito anos. Reunida ontem à tarde, a CP também estabeleceu a oitiva de quatro funcionários ligados a empresários que são peças centrais no escândalo que já custou o mandato de Bonilha e Henrique Barros (ex-PMDB) e o afastamento judicial de outros três - Renato Araújo (PP), Osvaldo Bergamin (PMDB) e Flávio Vedoato (PSC). Os depoimentos estão marcados para a próxima sexta-feira.
Os membros da CP definiram a intimação da assistente administrativa Camila Rodrigues dos Santos, do sócio propietário do Posto San Petro Thiago Farah Santaella, do advogado Ricardo Kifer Amorim e do auxiliar financeiro Rômulo Cotrim dos Santos. Todos figuram como testemunhas no inquérito do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que rendeu a ação penal por formação de quadrilha e concussão contra os cinco edis. Todos, também, foram ouvidos no dia 10 de janeiro, data da prisão em flagrante de Barros, de posse de R$ 9,9 mil supostamente oriundos de propina paga pelos empresários Alexandre Guimarães, Maurício de Biagi e Carlos Messas para que projetos de lei que os beneficiassem fossem agilizados ou aprovados na Casa. Barros declarou ao Gaeco, na ocasião, que Bonilha seria o centralizador do esquema de arrecadação - o que a defesa do agora ex-vereador nega.
Funcionária de Biagi, Camila disse ao MP que entregara a Barros, naquele dia, um envelope onde se lia ''Henrique''. Santaella declarou que ''algumas vezes, por conta da amizade'' com Barros, trocava cheques para ele - e naquele dia, o havia feito de dois, de um total de R$ 9,8 mil. Advogado de Guimarães, Amorim depôs que teria presenciado achaques por parte do veerador, contra o cliente. Já Santos, funcionário de Guimarães em uma casa noturna, depôs ter pago R$ 5.000 ao vereador, ''em notas de R$ 50'', por ordem do patrão.
''Pelo que diz a Lei Orgânica, a CP tem que continuar. Já essas pessoas serão ouvidas para sabermos se tiveram contato com mais algum vereador'', afirmou o presidente da Comissão, Tercílio Turini (PPS). Para o próximo dia 2, estão previstas oitivas dos três empresários e de Barros. O advogado de Bonilha, Ronaldo Neves, afirmou que ainda estuda se pede ou não a nulidade da CP, uma vez que ''aguarda, agora (que Bonilha renunciou), um julgamento mais técnico que político''.

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