Os membros da Comissão Processante (CP) da Câmara de Vereadores de Londrina que apura irregularidades na publicidade do Pronto Atendimento Infantil (PAI) se reuniram ontem para discutir detalhes da audiência marcada para amanh㠖 nove testemunhas do prefeito Antonio Belinati (PFL) começam a ser ouvidos a partir das 8 horas.
Eles pediram a orientação da procuradoria jurídica prevendo mais uma manobra da defesa para atrasar os trabalhos – a possibilidade do advogado João Alberto Graça ou de outros dois profissionais de seu escritório não aparecerem. ‘‘Se nenhum deles vier, vamos nomear na hora um advogado para acompanhar a audiência’’, afirmou o presidente da CP, Osvaldo Bergamin (PMDB).
A ausência de um advogado foi a justificativa usada por Graça para tentar anular o depoimento que Belinati prestou à CP, no mês passado. Ele impetrou mandado de segurança anteontem, alegando que não foi notificado e os membros da CP não nomearam nenhum advogado. O mandado ainda não foi julgado. Belinati é acusado de gastos em excesso e promoção pessoal na publicidade do PAI.
O depoimento de Belinati à CP foi o tema abordado ontem de manhã, pelos integrantes pela Moralização na Administração Pública. Como fazem todos os sábados pela manhã, no Calçadão (àrea central), o movimento fez uma manifestação para protestar contra a corrupção e cobrar a punição dos culpados pelos desvios que ultrapassam os R$ 16 milhões.
Usando de humor, criatividade e ironia, os atores interpretaram o ‘‘Belinóquio’’ (o prefeito com um nariz grande e vestido de negro, simulando a corrupção) e o ‘‘João Sem Graça’’. Após o depoimento, ambos desfilaram pelo Calçadão com uma mala cheia de dinheiro. Os integrantes também distribuíram rosas às mães que passaram pelo local.
O coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH), Carlos Roberto Scalassara, afirmou que o Ministério Público está fazendo a sua parte, que é de investigar as irregularidades. ‘‘Devemos cobrar a Câmara, que não está cumprindo seu papel.’’ Segundo ele, os vereadores precisam se empenhar mais em abrir a CP para apurar irregularidades na venda de ações da Sercomtel, na contratação de um show artístico e na compra de marmitex. Este processo está emperrado no Legislativo.

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