CP deve ouvir testemunhas de Belinati
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terça-feira, 23 de maio de 2000
Lucilia Okamura De Londrina 
Membros da Comissão Processante (CP) da Câmara de Vereadores devem ouvir hoje de manhã nove testemunhas de defesa do prefeito Antonio Belinati (PFL). A audiência, porém, pode ser invalidada se a Justiça deferir liminares para dois recursos impetrados pela defesa do prefeito: para substituir as testemunhas e suspender a nomeação de dois advogados feita pela CP. A comissão apura denúncia de que houve gastos excessivos e promoção pessoal na publicidade de inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI), em março de 99.
A defesa de Belinati nomeou, no início dos trabalhos da CP, 10 testemunhas de defesa todas pessoas que participaram da cerimônia de inauguração do PAI. Com exceção do secretário estadual de Sa© úde, Armando Raggio, elas foram intimadas a comparecer hoje, a partir das 8 horas, na Câmara. Esta é a segunda vez que os membros da CP tentam ouvir as testemunhas. No dia 15 estava marcada a primeira audiência, mas foi adiada porque o advogado do prefeito, João Alberto Graça, apresentou atestado médico.
Para evitar outras manobras da defesa, membros da CP tomaram uma providência: nomearam os advogados Dely Dias Neves e Rejane Tamura. Eles atuarão na defesa se João Graça ou um substituto não comparecer. A exemplo do que aconteceu com praticamente todos os atos realizados pelos membros da CP, a defesa de Belinati ingressou com um mandado de segurança com pedido de liminar para tentar anular esta nomeação. O caso está sob responsabilidade do juiz da 5ª Vara Cível, Alberto Junior Veloso, que não havia despachado até ontem, no final da tarde.
Outra tentativa de invalidar a CP é um mandado de segurança que João Graça impetrou para ter o direito de substituir oito das 10 testemunhas. Antes de tomar uma decisão, o juiz responsável pelo caso, Mauro Ticianelli Filho, determinou que a Câmara enviasse algumas informações sobre os atos da comissão.
Entre outros argumentos encaminhados ao juiz pelos membros da CP está o de que as novas testemunhas foram nomeadas com o objetivo claro de protelar o desfecho do processo. Isso porque quatro delas moram fora de Londrina, o que dificultaria o trabalho da CP. Além disso, os vereadores observam que o Código de Processo Civil prevê a substituição apenas em casos de morte, doença ou mudança de residência.
Estamos mostrando ao juiz que o prazo para a comissão encerrar seus trabalhos está passando e as testemunhas não podem ser substituídas sem motivo, argumentou o presidente da CP, Osvaldo Bergamin (PMDB). Segundo ele, o juiz não havia despachado sobre a matéria até o final da tarde de ontem. Também tramitam no Fórum mais três mandados de segurança.
Bergamin informou que continua marcada para o dia 29, em Curitiba, a audiência para tomar o depoimento de Raggio. Vamos levar os dois advogados por precaução, para o caso da defesa não comparecer, afirmou. A comissão tem prazo até o final de junho para concluir os trabalhos.


