CP deve ir à votação hoje na Câmara
Lino Ramos
De Londrina
A Câmara de Vereadores de Londrina viveu ontem um clima de indefinição, às vésperas da sessão em que deverá ser votado o pedido de abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito Antonio Belinati (PFL), acusado de envolvimento no caso AMA-Comurb. A sessão deve começar às 14 horas e a assessoria jurídica da Câmara instruiu a mesa executiva a seguir o o Decreto-lei 201/67. Se o pedido for aprovado, três vereadores serão sorteados para a CP e terão cinco dias para iniciar os trabalhos e três meses para emitir o parecer final. Poucos vereadores arriscaram um palpite sobre a aceitação do pedido protocolado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em nome de 75 entidades de classe.
A vereadora Elza Correia (PMDB) se mostrava confiante na abertura da CP. Só se alguma força oculta tiver mais poder que a palavra do vereador, ironizou. Um vereador do grupo de apoio ao prefeito, que não quis se identificar, disse estar convencido que a comissão não será instalada.
O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) garantiu que a bancada tucana está firme e coesa sobre o pedido para a instalação da comissão. Já a direção estadual do PSB divulgou nota informando que o partido orientou os três vereadores da legenda a votar contra o pedido por ser uma proposta de cunho político-eleitoral. O PFL também orientou seus três vereadores a rejeitar a CP. No corpo a corpo pelos votos contra a comissão, circularam pela Câmara o secretário de Governo, Sidnei Oliveira, e o presidente da Cohab-Ld, Assad Janani, além do diretor da Comurb, Carlos Klamas.
O ex-diretor administrativo-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso, que acusou o prefeito de ser um dos principais envolvidos no esquema de corrupção, também conversou ontem com o presidente da Câmara, Renato Araújo (PPB) e outros vereadores. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, e o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Newton Moratto, também trocaram informações com diversos vereadores.
Durante a sessão de hoje, só terão acesso à área ao lado do plenário os funcionários da Câmara, assessores e a imprensa. O acesso do público ficará restrito às galerias, na parte superior do prédio. Ontem à tarde, o diretor da Câmara, Francisco Mestre, entregou 120 senhas para o presidente da Acil, Valter Orsi, e outras 120 para o diretor-executivo da Cohab, Agnaldo José da Rosa, chamado pela Câmara para representar o Executivo.
Ele informou que 30 senhas seriam entregues ao secretariado municipal e o restante para os populares favoráveis a Belinati. Também acompanharam a distribuição de senhas, Newton Moratto e o presidente da Federação dos Assentamentos e dos Sem-Teto, José Ricardo da Silva. O clima foi tenso, com as duas partes trocando acusações sobre excessos durante a sessão de quinta-feira.
O presidente da Câmara alertou que poderá encerrar a sessão se houver tumulto, a exemplo do que ocorreu na última quinta-feira, quando ele determinou o fim dos trabalhos alegando que o advogado Ruy Carneiro havia arrombado a porta da sala de reuniões. Substituto de Belinati numa eventual cassação, Araújo afirmou que pretende votar caso não haja questionamentos, mas não antecipou qual seria sua posição.
O comando do 5º Batalhão da Polícia Militar não informou quantos policiais serão destacados para fazer a segurança durante a sessão. Na quinta-feira, passada 50 policiais acompanharam os trabalhos da Câmara.





