A Comissão Processante instalada para investigar na Câmara Municipal os fatos trazidos pela Operação ZR3 do Ministério Público entra nesta semana na reta final dos trabalhos. O vereador João Martins (PSL), relator da CP que investiga a suposta participação dos vereadores afastados Rony Alves (PTB) e Mário Takahashi (PV) num suposto esquema de corrupção para mudança de zoneamento urbano em Londrina, confirmou que recebeu as alegações finais das defesas, mas não adiantou quando vai concluir e entregar o relatório.

O que se pode afirmar é que todos os vereadores devem receber o relatório com, no mínimo, quatro dias de antecedência do julgamento, que, de acordo com o prazo regimental, deve ser realizado até o dia 23 de agosto, em uma sessão específica.

A FOLHA teve acesso ao documento com as alegações finais da defesa de Rony Alves. O advogado Maurício Carneiro sustenta que todo o processo é baseado em afirmações que não foram "efetivamente presenciadas" pelo agricultor Junior Zampar, principal testemunha do Ministério Público. Além de ratificar que supostos "agrados" aos vereadores que teriam sido oferecidos por Luiz Guilherme Alho foram desmentidos pela ex-presidente do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano), Ignez Dequech. Dentre outras afirmativas consideradas incriminatórias pelo Ministério Público. Assim como Takahashi e Alves, Alho e Dequech também são réus na Operação ZR3.

"Ademais, em determinada conversa gravada entre o vereador Rony Alves e Mário Takahashi, o vereador Rony diz que espera que ao final a família Zampar não venha com 'tapinhas nas ombro'. O órgão ministerial - na comum interpretação que costuma fazer do "vamos partir do pior", afinal, são políticos e devem ser corruptos - (interpreta) que 'tapinhas nas costas', no caso, queria dizer recebimento de propina", diz o documento.

A defesa também afirma que a situação em questão analisada pela Comissão Processante "tramita, em fase inicial, no Poder Judiciário", e pede a improcedência da acusação.

A reportagem entrou em contato com a defesa do vereador Mário Takahashi, mas não obteve respostas.

A CP da ZR3 foi aberta em 17 de abril, sob suspeita do Ministério Público de que na véspera teria havido um "conluio" entre um grupo de vereadores para evitar a investigação na Câmara. Foram 15 votos a favor e apenas quatro contra - dos vereadores Guilherme Belinati (PP), Jamil Janene (PP), Péricles Deliberador (PSC) e do suplente do vereador Filipe Barros (PSL), Emanoel Gomes (PRB).

Barros foi o autor da representação pelo suposto cometimento de quebra de decoro parlamentar por parte de Takahashi e Alves que deu origem à Comissão e por conta disso não pôde votar nesta matéria. A Operação ZR3 foi deflagrada em 24 de janeiro e ao todo 13 pessoas são rés na denúncia.

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