Com quórum de 13 votos determinado pela Justiça, tudo indica que será rejeitado o pedido de abertura de uma Comissão Processante (CP) para apurar eventual responsabilidade do prefeito Barbosa Neto (PDT) e do vice, Joaquim Ribeiro (PSC), em irregularidades no curso de formação da Guarda Municipal.
A votação será na próxima terça-feira e consta como primeiro item da pauta. Sondagem feita pela FOLHA com vereadores e líderes partidários revela que 10 dos 19 vereadores poderiam votar pela abertura da CP. Joel Garcia (sem partido), adversário declarado de Barbosa, está impedido de votar porque foi ele o autor do pedido de abertura da comissão.
Votariam pela criação da CP os três vereadores do PT (Lenir de Assis, Jacks Dias e Eloir Valença), os três do PSDB (Gerson Araújo, Marcio Almeida e Roberto Kanashiro), os dois do PP (Sandra Graça e Marcelo Belinati) e dois do PTB (Rony Alves e Roque Neto). ''Eu acho que a abertura da comissão daria toda a oportunidade para o prefeito se defender e explicar claramente sua participação'', disse José Roque Neto (sem partido). ''Temos um final de semana pela frente e até terça-feira muita coisa pode acontecer'', disse um vereador.
Os pedetistas Roberto Fú e Sebastião Raimundo da Silva, por serem do partido do prefeito, votariam contra a abertura da comissão. ''Na minha opinião, este caso da Guarda Municipal está esclarecido e encerrado'', avaliou Silva.
Os outros votos contrários à CP viriam dos vereadores que representam partidos isoladamente na Câmara: Jairo Tamura (PSB), Renato Lemes (PRB), Roberto Fortini (PTC) e Tito Valle (PMDB), além de Ivo de Bassi, que deixou o PTN e está sem partido. O voto de Rodrigo Gouvêa (sem partido) ainda é uma incógnita. ''Nem sabia que votaríamos a CP. Não sei em quem vou votar.''
''Eu participei da CEI que apurou o caso da Guarda e acho que não há nenhum elemento para abrir a comissão'', declarou Valle, referindo-se ao fato de ter sido membro da Comissão Especial de Inquérito cujo relatório assinado por Valle e Tamura isentou Barbosa de culpa. Já a relatora, Lenir de Assis, apontou responsabilidade direta do prefeito. Foi ele quem assinou o contrato com a empresa Delmondes & Dias, do Mato Grosso do Sul, 51 dias depois de o curso de formação do guardas ter sido iniciado.
Para o Ministério Público, que moveu ação civil pública contra o prefeito e o então secretário de Gestão Pública, Marco Cito, além do ex-secretário de Defesa Social, Benjamin Zanlorenci, o objeto do contrato era falso, porque o curso foi inteiramente prestado por policiais militares e a empresa - que não tinha sede no endereço informado - serviu apenas para fazer o depósito de honorários aos policiais.
''Eu espero uma sessão absolutamente tranquila. Estou achando a coisa mais natural do mundo, normalíssima'', declarou o presidente da Câmara, Gerson Araújo (PSDB). Barbosa também enfrenta outro pedido de CP - para apurar eventual responsabilidade em desvios na Saúde. O pedido somente será votado quando a CEI que investiga o mesmo fato for finalizada.

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