CP conclui depoimentos sem provas contra Bonilha
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quarta-feira, 30 de abril de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Comissão Processante (CP) que apura suposta quebra de decoro parlamentar praticada pelo ex-vereador Orlando Bonilha (PR) encerrou ontem a fase de depoimentos sem que nenhum deles comprovasse a participação do ex-parlamentar no esquema de cobrança e distribuição de propina relatado ao Ministério Público (MP) pelo também ex-vereador Henrique Barros (sem partido). Bonilha foi o único levado a CP dos quatro vereadores que tiveram a conduta investigada pela Comissão de Ética da Casa que, em relatório, isentou Osvaldo Bergamin (PMDB), Flávio Vedoato (PSC) e Renato Araújo (PP).
Ontem, os membros da CP instalada em 11 de março tomaram os depoimentos do sargento Edson Lopes, da Polícia Militar (PM), e André de Biagi, irmão de Maurício de Biagi, um dos três empresários que confirmaram pagamento de propina a Barros, desde dezembro de 2007, pela aprovação ou agilização de projetos de lei. No dia 10 de janeiro, ele acabou preso de posse de R$ 9,9 mil e, em depoimento, disse que o suposto líder do esquema seria Bonilha.
Na última sexta, Barros depôs à CP e confirmou a versão apresentada à Justiça na audiência de 7 de abril, na qual se disse coagido pelos promotores a citar nomes de vereadores. Dias depois, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) anexou ao processo imagens gravadas no dia da prisão e nas quais, aparentemente à vontade perante os promotores, o então vereador se colocou à disposição para colaborar nas investigações. À CP, Barros disse que André de Biagi teria conversado com ele na sede do Gaeco, no dia da prisão, a fim de que ele confirmasse aos promotores a versão dada no depoimento. Já o sargento que o prendeu em flagrante teria ouvido, durante o trajeto até o MP, que os R$ 9,9 mil apreendidos seriam entregues a Bonilha.
''O André disse à comissão ter tido contato com o Henrique porque acompanhou uma funcionária da empresa do irmão ao Gaeco - negou qualquer pedido dele, ou mesmo que teria ouvido o Maurício dizer que desse dinheiro (a Barros), ou ainda ter qualquer relacionamento com Bonilha'', declarou o presidente da CP, vereador Tercílio Turini (PPS). ''Já o policial disse ter ouvido nomes de vereadores, mas tudo infoirmalmente - ou seja, ambos os depoimentos não nos trouxeram nada de novo.''
A CP volta a se reunir na semana que vem para dar início à fase de relatório. Segundo o presidente do grupo, o fato de os três empresários - além de Biagi, também Carlos Messas e Alexandre Guimarães - não terem comparecido a depor acabou inocentando Bonilha. ''Eles eram peças centrais, e quando precisávamos da disposição de virem para esclarecer o que sabiam, só mandaram um ofício justificando a ausência'', reclamou. Perguntado se a CP caminha para absolvição de Bonilha, Turini sinalizou: ''Acho que até em função da abertura da CP ele já teve punição, pois renunciou.'' (Colaborou Vanessa Navarro)


