Com a promessa de que ''não vai ficar em cima do muro'', a Comissão Processante (CP) apresenta hoje à tarde o relatório em que indicará a suspensão ou não dos direitos políticos por até oito anos do ex-vereador Orlando Bonilha (PR). Voto decisivo na cassação do ex-prefeito Antonio Belinati (PP) em junho de 2000, Bonilha esteve no centro de uma investigação iniciada na Casa em janeiro deste ano com a prisão do ex-vereador Henrique Barros (sem partido), que o acusou de comandar um suposto esquema propina no Legislativo londrinense.
A CP se originou dos trabalhos da Comissão de Ética, que isentou de punição os vereadores Osvaldo Bergamin (então no PMDB), Renato Araújo (PP) e Flávio Vedoato (PSC) supostamente envolvidos no caso. Os trabalhos da CP tiveram início em 11 de março. Ao todo, o relatório revisado ontem de manhã tem 21 páginas.
O documento será protocolado à Mesa Diretora pelos vereadores Tercílio Turini (PPS), Roberto Kanashiro (PSDB) e Renato Lemes (PRB), respectivamente presidente, relator e membro da CP. A partir da iniciativa, a Presidência poderá marcar a data da sessão especial de julgamento do relatório em plenário - há prazo de até quatro dias para tal agendamento. Todo o processo precisa ser finalizado até, no máximo, 9 de junho. Na sessão especial, de votação única, após a leitura das conclusões do relatório, cada vereador terá até cinco minutos para se manifestar, sem chance de ser aparteado pelos colegas. A defesa de Bonilha terá uma hora para exposição de argumentos.
O presidente da CP garantiu que o relatório não deixará a decisão meramente a critério do Plenário. ''A Comissão fará um indicativo, não ficará 'em cima do muro''', afirmou Turini. Ele admitiu certo assédio até mesmo de colegas do Legislativo que queriam saber quais seriam os apontamentos da comissão. ''A gente tem evitado dizer e também tem orientado os vereadores a não anteciparem o voto, publicamente, pois isso pode ser usado contra eles próprios depois'', comentou.
Já o relator da comissão explicou que ''tudo somou'' para a conclusão da CP. ''O depoimento inicial do Henrique Barros e dos empresários ao MP e também todo o material de áudio e vídeo coletado ajudaram a clarear uma série de coisas'', avaliou Kanashiro.
Oficialmente, o advogado de Bonilha, Ronaldo Neves, diz estar ''convencido do arquivamento'' da denúncia por quebra de decoro. ''A decisão tem que ser técnica. Se for política, vai depender da consciência de cada vereador'', avisou. ''A casa política não pode julgar um processo que precisa de elementos materiais. Caso contrário, todos podem ser submetidos ao crivo do Poder Judiciário'', concluiu Neves.

mockup